FGV: com juro alto, economia desacelera e cresce 0,5% no 2º trimestre
Bruno de Freitas Moura – Repórter da Agência Brasil
A economia brasileira cresceu 0,5% na passagem do primeiro para o segundo trimestre. O resultado mostra desaceleração, uma vez que, no primeiro trimestre, a alta tinha sido de 1,3%.

As estimativas são do Monitor do Produto Interno Bruto (PIB), estudo mensal do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da Fundação Getulio Vargas (FGV), divulgado nesta segunda-feira (18), no Rio de Janeiro.
O levantamento traz estimativas sobre o comportamento do PIB, que reúne todos os bens e serviços produzidos no país. Além disso, o estudo funciona como uma prévia do dado oficial que o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulga posteriormente.
De maio para junho, a economia cresceu 0,5%, segundo a FGV. Nesse caso, os dados consideram a dessazonalização, ou seja, excluem variações típicas do período para evitar que fatores como o número de dias úteis distorçam a comparação entre os meses.
O Monitor do PIB mostra que a economia brasileira cresceu 2,4% no segundo trimestre em relação ao mesmo período de 2024. No acumulado dos últimos 12 meses, a expansão atinge 3,2%. Em valores monetários, a FGV estima o PIB do primeiro semestre em R$ 6,109 trilhões.
Freio dos juros altos
Juliana Trece, economista do Ibre, explicou que o crescimento do segundo trimestre se deve aos desempenhos dos setores de serviços e da indústria. Nos serviços, detalha ela, “este crescimento foi disseminado na maior parte das atividades”.
Já na indústria, o desempenho positivo foi concentrado na atividade extrativa, “o que mostra maior fragilidade do setor”.
Segundo Trece, a “relevante desaceleração” do crescimento no segundo trimestre pode ser atribuída tanto por não ter havido a forte contribuição positiva da agropecuária que houve no primeiro trimestre, quanto pelo “efeito defasado do elevado patamar dos juros na atividade econômica”.
O levantamento indica que o consumo das famílias mantém crescimento, mas vem desacelerando desde o fim de 2024. Naquele período, a expansão foi de 3,7%. No primeiro trimestre de 2025, recuou para 2,6%, e no segundo, para 1,5%. As comparações levam em conta o mesmo período dos anos anteriores.
Por que juros altos?
A escalada dos juros começou em setembro do ano passado, quando a taxa básica (Selic) saiu de 10,5% ao ano e, gradativamente, chegou aos atuais 15%, maior nível desde julho de 2006 (15,25%).
A taxa Selic é decidida a cada 45 dias pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central e consiste na principal forma de a instituição fazer a inflação convergir para a meta estipulada pelo governo ─ de 3% ao ano com tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos. Desde setembro de 2024, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) está acima do teto da meta (4,5%).
Uma das consequências dos juros altos é o efeito contracionista, que ajuda a conter a inflação. Com o aumento da taxa, os empréstimos ficam mais caros para pessoas físicas e empresas. Assim, os investimentos perdem atratividade, já que muitas vezes compensa mais manter o dinheiro aplicado, rendendo juros elevados, do que assumir riscos em atividades produtivas.
Esse conjunto de efeitos reduz o ritmo da economia. Como resultado, surge um reflexo negativo: menos atividade significa menos emprego e renda. Segundo o Banco Central, o impacto da Selic sobre a inflação demora de seis a nove meses para aparecer, o que coincide com a percepção apontada pelo Monitor do PIB.
PIB oficial
O Monitor do PIB atua como um dos principais termômetros da economia brasileira. Além dele, o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), divulgado nesta segunda-feira (18), mostra uma expansão de 0,3% entre o primeiro e o segundo trimestre. No acumulado de 12 meses, o IBC-Br registra crescimento de 3,9%.
O resultado oficial do PIB é apresentado trimestralmente pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A divulgação referente ao segundo trimestre será no dia 2 de setembro.
Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil
LEIA TAMBÉM: Mercado financeiro reduz previsão da inflação para 5,1%