Férias, viagens e casa vazia: por que a procura por seguros cresce no fim do ano
Por Bárbara Souza
Com a chegada de dezembro, o Brasil entra oficialmente em um período de mudança de rotina. As festas de fim de ano, o recebimento do 13º salário e as férias escolares estimulam viagens, confraternizações e longos períodos fora de casa. Esse cenário, marcado por maior circulação de pessoas e imóveis desocupados, também amplia a exposição a riscos e ajuda a explicar por que alguns tipos de seguro passam a ser mais procurados nesta época do ano.
Nesse cenário, o seguro residencial ganha ainda mais relevância, sobretudo quando muitas casas ficam vazias por dias ou até semanas. Dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública mostram que os crimes patrimoniais tendem a aumentar em períodos de maior ausência dos moradores, especialmente nos grandes centros urbanos. Por isso, a proteção contra roubo e furto deixa de ser um detalhe e passa a ocupar papel central na decisão de contratação do seguro.
Além disso, o verão brasileiro traz chuvas intensas, ventos fortes e descargas elétricas. Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), os meses de dezembro e janeiro concentram uma parcela significativa do volume anual de chuvas em várias regiões do país. Como resultado, cresce a ocorrência de danos elétricos, alagamentos e destelhamentos. Diante desse cenário, coberturas voltadas a eventos climáticos, somadas a serviços de assistência 24 horas — como chaveiro, eletricista e encanador — ampliam a sensação de segurança e tranquilidade para quem viaja.
Outro seguro que ganha destaque no fim do ano é o de dispositivos móveis. Esse período reúne maior poder de compra, impulsionado pelo pagamento do 13º salário, e ambientes mais propensos a perdas e furtos, como praias, festas, aeroportos e grandes eventos.
Segundo dados da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), o Brasil fechou 2024 com mais de um smartphone ativo por habitante, o que evidencia a forte dependência desses aparelhos no dia a dia. Nesse contexto, a perda ou o dano de um celular vai além do prejuízo financeiro. Também pode gerar transtornos relacionados a dados pessoais, aplicativos bancários e meios de pagamento.
Por isso, cresce a procura por seguros para celular que ofereçam cobertura contra roubo, furto qualificado e danos acidentais. Além disso, muitas apólices já incluem proteção contra contato com líquidos e, em alguns casos, contra transações digitais indevidas.
O seguro viagem, por sua vez, costuma registrar pico de procura durante o período de férias. Segundo empresas do setor, as cotações aumentam de forma significativa nessa época, refletindo o maior volume de deslocamentos nacionais e internacionais.
Para quem viaja ao exterior, a contratação do seguro muitas vezes deixa de ser opcional. Na Europa, por exemplo, os países que integram o Tratado de Schengen exigem apólice com cobertura mínima de 30 mil euros para despesas médicas, conforme orientações da Comissão Europeia.
Além disso, mesmo em viagens dentro do Brasil, imprevistos se tornam mais frequentes na alta temporada. Problemas de saúde, cancelamentos de voos e extravio de bagagens tendem a aumentar quando aeroportos e rodovias operam no limite.
Dados da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) indicam que o fluxo de passageiros aéreos cresce de forma significativa em dezembro e janeiro. Como consequência, também aumenta o risco de atrasos e cancelamentos de voos.
Diante desse cenário, coberturas que incluem assistência médica, repatriação, interrupção de viagem e suporte jurídico passam a representar um investimento em segurança, e não apenas um custo adicional.
Ao reunir proteção para a casa, para os bens pessoais e para o deslocamento, os seguros mais procurados no fim do ano refletem um comportamento cada vez mais preventivo do consumidor brasileiro. Em vez de lidar com prejuízos depois que o problema acontece, cresce a percepção de que antecipar riscos é parte essencial do planejamento das festas e das férias.
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