Estimativas do mercado para inflação e PIB permanecem estáveis
Andreia Verdélio – Repórter da Agência Brasil
As previsões do mercado financeiro para os principais indicadores econômicos de 2025 permaneceram estáveis na edição desta segunda-feira (10) do Boletim Focus. O levantamento, divulgado semanalmente pelo Banco Central (BC), reúne as expectativas de instituições financeiras para a expansão da economia e o comportamento da inflação.
A estimativa de crescimento da economia brasileira em 2025 segue em 2,16%. Para 2026, o mercado projeta avanço de 1,78% no Produto Interno Bruto (PIB), que representa a soma de bens e serviços produzidos no país. Já para 2027 e 2028, as previsões indicam expansão de 1,88% e 2%, respectivamente.
No curto prazo, os dados mais recentes mostram desempenho positivo da atividade econômica. Impulsionada pelos setores de serviços e indústria, a economia brasileira cresceu 0,4% no segundo trimestre deste ano. Em 2024, o PIB encerrou com alta de 3,4%, resultado que marcou o quarto ano consecutivo de crescimento. Além disso, esse foi o melhor desempenho desde 2021, quando a expansão chegou a 4,8%.
No mercado de câmbio, a projeção para o dólar permanece em R$ 5,41 ao fim de 2025. Para o encerramento de 2026, os analistas estimam que a cotação da moeda norte-americana alcance R$ 5,50.
Inflação
A previsão do mercado financeiro para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), considerado a inflação oficial do país, ficou em 4,55% em 2025. Para 2026, a projeção permaneceu em 4,2%. Já para 2027 e 2028, as estimativas indicam inflação de 3,8% e 3,5%, respectivamente.
Mesmo com a estabilidade nas projeções, a expectativa para este ano segue acima do teto da meta de inflação perseguida pelo Banco Central. Definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), a meta é de 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Dessa forma, o limite inferior é de 1,5% e o superior, de 4,5%.
No comportamento recente dos preços, após recuar em agosto, a inflação voltou a subir em setembro. O IPCA avançou 0,48% no mês, influenciado principalmente pelo aumento da conta de luz. No acumulado de 12 meses, a inflação chega a 5,17%, de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia Estatística (IBGE).
Juros básicos
Para alcançar a meta de inflação, o Banco Central usa como principal instrumento a taxa básica de juros – a Selic – definida em 15% ao ano pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do BC. O recuo da inflação e a desaceleração da economia levaram à manutenção da Selic na última reunião, na semana passada, mas o colegiado não descarta a possibilidade de voltar a elevar os juros “caso julgue apropriado”.
Em nota, o BC informou que o ambiente externo se mantém incerto por causa da conjuntura e da política econômica nos Estados Unidos, com reflexos nas condições financeiras globais. Já no Brasil, a autarquia destacou que a inflação continua acima da meta, apesar da desaceleração da atividade econômica, o que indica que os juros continuarão alto por bastante tempo.
A estimativa dos analistas é que a taxa básica encerre 2025 nesses 15% ao ano. Para o fim de 2026, a expectativa é que a Selic caia para 12,25% ao ano. Para 2027 e 2028, a previsão é que ela seja reduzida novamente para 10,5% ao ano e 10% ao ano, respectivamente.
Quando o Copom aumenta a taxa básica de juros, a finalidade é conter a demanda aquecida; e isso causa reflexos nos preços porque os juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança. Mas, além da Selic, os bancos consideram outros fatores na hora de definir os juros cobrados dos consumidores, como risco de inadimplência, lucro e despesas administrativas. Assim, taxas mais altas também podem dificultar a expansão da economia.
Quando a taxa Selic é reduzida a tendência é que o crédito fique mais barato, com incentivo à produção e ao consumo, reduzindo o controle sobre a inflação e estimulando a atividade econômica.
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