Entenda por que ex-funcionários voltam às suas antigas empresas: o fenômeno dos “boomerang employees”
Por Bárbara Souza
Há um movimento curioso no mercado de trabalho, que se configura em um retorno de ex-funcionários às empresas onde já trabalharam. Chamados de boomerang employees, esses profissionais saem em busca de novas experiências e, algum tempo depois, decidem voltar ao antigo empregador, muitas vezes em posições mais estratégicas. O fenômeno, antes visto como raro, tem ganhado força globalmente e começa a ser incorporado às políticas de gestão de pessoas.
Segundo o ADP Research Institute, em março de 2025 os boomerang employees representaram 35% de todas as novas contratações nos Estados Unidos, um aumento em relação aos 31% registrados no mesmo mês de 2024. O dado mostra que mais de um em cada três novos contratados naquele período já havia trabalhado anteriormente na mesma empresa. Em setores como tecnologia e informação, que incluem áreas de programação, telecomunicações e software, o índice foi ainda mais expressivo, chegando a 68% das admissões, de acordo com levantamento da CNBC publicado em junho deste ano.
Para as empresas, a recontratação traz vantagens claras. Profissionais que retornam já conhecem a cultura organizacional e as rotinas internas, o que reduz custos de integração e acelera a produtividade. Além disso, muitos voltam com novas competências adquiridas em outras experiências, o que pode gerar inovação e novas perspectivas. De acordo com o relatório “Boomerang Hiring Makes a Comeback”, da ADP, esse tipo de contratação também tende a apresentar melhor retenção, já que o funcionário volta de forma mais consciente sobre o ambiente de trabalho e sobre suas próprias expectativas.
Do lado dos trabalhadores, o retorno costuma ser motivado por fatores como estabilidade, afinidade com a cultura da empresa e possibilidade de crescimento em uma estrutura já conhecida. Mas há também um movimento de “realismo pós-pandemia”: muitos profissionais que mudaram de emprego em busca de melhores condições acabaram se decepcionando com promessas não cumpridas ou ambientes menos acolhedores, e decidiram voltar.
Apesar da ausência de dados específicos sobre esse cenário no mercado brasileiro, gestores de empresas analisam um aumento desse movimento no Brasil. Como a CEO do Infojobs, Ana Paula Prado, em um artigo publicado em julho deste ano.
“É uma mudança de comportamento. Antes, retornar para uma empresa era considerado um sinal de arrependimento. Hoje, muitas vezes, é visto com maturidade: o profissional sabe o que quer, se identifica com o propósito e se sente preparado para os novos desafios, no mesmo lugar”, afirma Ana.
Ainda assim, o fenômeno exige cuidado. Especialistas da área de RH alertam que as empresas precisam manter processos transparentes de recontratação para evitar ressentimentos entre os que permaneceram e garantir equilíbrio salarial. A Harvard Business Review destaca que, quando bem conduzido, o retorno de ex-funcionários pode fortalecer o engajamento e a reputação da marca empregadora.
Em um mercado que valoriza eficiência e experiência, os boomerang employees deixaram de ser exceção. Eles representam uma nova lógica nas relações de trabalho — em que partir não significa necessariamente romper, e voltar pode ser sinal de maturidade profissional e reconhecimento mútuo.
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