Empresas que usam mais inteligência artificial têm maior probabilidade de contratar, aponta pesquisa do BCE
Por Bárbara Souza
Empresas que fazem uso intensivo de inteligência artificial apresentam maior probabilidade de ampliar suas equipes no curto prazo, segundo resultados da Pesquisa sobre Acesso ao Financiamento das Empresas (SAFE, na sigla em inglês), conduzida pelo Banco Central Europeu (BCE). O levantamento indica que, ao contrário de previsões sobre substituição de trabalhadores por tecnologia, companhias que utilizam IA de forma mais frequente tendem a registrar maior intenção de contratação.
A pesquisa, realizada entre novembro e dezembro de 2025 com 5.067 empresas da zona do euro, avalia condições de financiamento, atividade econômica e expectativas empresariais. De acordo com os dados do BCE, organizações que utilizam inteligência artificial com maior intensidade têm cerca de 4% mais probabilidade de contratar funcionários adicionais em comparação com empresas que usam a tecnologia de forma limitada ou que ainda não a adotaram.
Em análise publicada por economistas do banco central, o resultado indica que “empresas intensivas em IA tendem, em média, a contratar em vez de demitir”. O estudo também mostra que companhias que planejam ampliar investimentos em inteligência artificial apresentam expectativas mais positivas para o crescimento do emprego no futuro.
A SAFE é um dos principais instrumentos de monitoramento do ambiente empresarial na Europa e reúne informações sobre financiamento, custos, produção e emprego. A pesquisa passou a ser realizada trimestralmente a partir de 2024 e reúne dados de milhares de empresas de diferentes setores e tamanhos em países da zona do euro.
Os dados também indicam que o uso de inteligência artificial já é disseminado no ambiente corporativo europeu. Segundo estimativas do levantamento, cerca de dois terços das empresas informaram que seus funcionários utilizam algum tipo de ferramenta de IA no trabalho. No entanto, o uso intensivo ainda é concentrado em organizações de maior porte. Quase 90% das empresas com mais de 250 funcionários relatam utilizar IA, enquanto entre companhias com menos de dez empregados a taxa é próxima de 60%.
Para analistas do BCE, a adoção da tecnologia pode estar associada a ganhos de produtividade e a mudanças na estrutura das tarefas dentro das empresas, o que pode exigir novos perfis profissionais e ampliar a demanda por trabalhadores com habilidades técnicas. Segundo os economistas responsáveis pela análise do banco central, “a relação entre IA e emprego depende da forma como a tecnologia é incorporada ao processo produtivo”, indicando que a automação pode coexistir com a criação de novas funções.
O debate sobre os impactos da inteligência artificial no mercado de trabalho ganhou força nos últimos anos, especialmente após avanços recentes em sistemas generativos e automação de processos. Estudos de diferentes instituições apontam cenários variados para os próximos anos. Pesquisas conduzidas por institutos europeus, por exemplo, indicam que parte das empresas espera redução de postos de trabalho no longo prazo devido à adoção de novas tecnologias.
Os resultados da SAFE, no entanto, sugerem que os efeitos imediatos podem ser diferentes das projeções mais pessimistas. No curto prazo, a evidência empírica aponta para um cenário em que a adoção de inteligência artificial ocorre junto à expansão das equipes em parte das empresas.
Para o BCE, acompanhar a relação entre tecnologia e emprego continuará sendo um ponto central das análises sobre a economia europeia. O banco central afirma que o avanço da digitalização e da inteligência artificial tende a influenciar decisões de investimento, produtividade e organização do trabalho nos próximos anos, com impactos diretos sobre o mercado de trabalho e o desempenho das empresas na região.
Foto: Pexels
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