Eleições terão influência sobre como ações vão se comportar
Por Maria Regina Silva e Luís Eduardo Leal – Estadão Conteúdo
Na semana passada, a XP Investimentos elevou a projeção do Ibovespa para o final de 2026, passando de 170 mil para 185 mil pontos. A decisão reflete o início da queda das taxas de juros reais de longo prazo e a expectativa de nova expansão de múltiplos no próximo ano.
Em relatório, Fernando Ferreira, Felipe Veiga, Raphael Figueredo e Lucas Rosa analisam: “Vemos um valuation ainda atrativo”, reforçando o potencial de valorização do mercado acionário.
Em um evento no início de novembro, quando o Ibovespa já acumulava 15 altas consecutivas e 12 recordes, atingindo máximas históricas — que seriam pulverizadas menos de um mês depois, sem teto visível —, Rogério Xavier, sócio da SPX, comentou sobre a eleição de 2026. Ele destacou que o resultado ainda seguirá o formato de “cara ou coroa”, refletindo a polarização política que marca o País desde 2018.
Xavier acrescentou que a vitória de um candidato com propostas de ajuste fiscal poderia gerar uma verdadeira “explosão” positiva nos preços dos ativos. Ele questionou: “Qual a probabilidade disso acontecer? A mesma de jogar a moeda”.
SUCESSÃO
A influência política no mercado financeiro ficou evidente na última sexta-feira. O Ibovespa registrou queda de 4,31%, fechando aos 157.369 pontos, impactado pela notícia de que o ex-presidente Jair Bolsonaro escolheu o filho, Flávio Bolsonaro, senador pelo PL do Rio, como candidato à sucessão de Luiz Inácio Lula da Silva.
Essa movimentação política reforçou a volatilidade do mercado de ações, mostrando como eventos eleitorais podem afetar o humor dos investidores. Analistas destacam que decisões políticas e especulações sobre a eleição 2026 têm potencial para influenciar diretamente índices e preços de ativos, especialmente em momentos de incerteza política.
Além disso, o episódio evidencia que o Ibovespa reage não apenas a indicadores econômicos, mas também a cenários políticos, reforçando a importância de monitorar eventos eleitorais para entender tendências de curto e médio prazo no mercado de capitais brasileiro.
Analistas avaliam que o senador Flávio Bolsonaro tem poucas chances de vencer Lula nas eleições de 2026. Além disso, Erich Decat, responsável pela análise política da Warren Investimentos, observa: “A eventual candidatura de Flávio ainda precisa decantar antes de ser tratada como movimento concreto”.
Segundo Decat, a indicação de Flávio envia “um recado direto ao Centrão”. Isso porque o grupo vinha ocupando o vácuo deixado pelo enfraquecimento de Bolsonaro e avançava na construção de uma candidatura própria de centro-direita, com o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, surgindo como principal alternativa.
Portanto, a movimentação política reforça a polarização no cenário eleitoral e indica como alianças estratégicas podem influenciar a disputa presidencial de 2026.

FISCAL
A Bolsa brasileira pode valorizar até 100% em dois anos, subindo de cerca de 150 mil pontos para 300 mil pontos, desde que o Brasil implemente mudanças na política econômica, especialmente no controle dos gastos públicos, segundo Rogério Freitas, líder de investimentos do ASA, durante entrevista coletiva online sobre oportunidades de investimento para o próximo ano.
De acordo com ele, “em um cenário positivo, a Bolsa pode subir 100%”. Freitas explica que esse movimento depende de uma gestão mais eficiente das contas públicas. Dessa forma, o Brasil poderia alcançar uma taxa de juros real de equilíbrio menor do que a atual.
Freitas destaca ainda que sua análise não se baseia em achismo, mas em probabilidades estudadas pela casa, reforçando a consistência das projeções. Além disso, ele observa que, caso o tema fiscal não seja tratado, o cenário local não deve se deteriorar significativamente, contanto que o ambiente externo continue favorável ao Brasil.
As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
Foto: Divulgação B3
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