Da sucata ao insumo: como o lixo eletrônico vira matéria-prima industrial no Brasil

Da sucata ao insumo: como o lixo eletrônico vira matéria-prima industrial no Brasil

Por Bárbara Souza

No meio da avalanche de dispositivos descartados, como celulares, notebooks, e televisores, aparece uma realidade alarmante: o Brasil ocupa uma das primeiras posições entre os países que mais geram lixo eletrônico, e, ao mesmo tempo, recicla apenas uma fração mínima desse volume. Segundo dados recentes de um relatório da ONU, o país produz cerca de 2,4 milhões de toneladas de resíduos eletroeletrônicos ao ano, mas destina à reciclagem formal pouco mais de 3% desse total. Esse cenário torna urgente a ação de empresas que conseguem transformar esse material, que poderia virar passivo ambiental, em matéria-prima para a indústria. 

A BTB Soluções surge nesse contexto como uma das iniciativas de destaque. A empresa tem ampliado sua atuação no campo da logística reversa de equipamentos de TI, não apenas recolhendo o que está obsoleto, mas avaliando previamente as condições de uso, garantindo a segurança dos dados e promovendo a remanufatura dos dispositivos com potencial de vida útil. Como afirma o CEO, Bruno Gomes: “esses equipamentos, na verdade, não só representam uma riqueza em termos de matéria-prima para a indústria, como podem ser remanufaturados para a utilização por quem não tem como comprar um item novo”.

A empresa complementa essa visão ao destacar que, antes de encaminhar os equipamentos para recicladoras certificadas, realiza uma análise criteriosa, verificando se há informações corporativas armazenadas, em seguida emite um laudo de conformidade de dados, e por meio de um processo que a empresa chama de “frankenstein”, remonta equipamentos com componente de diferentes origens (como tela de um, bateria de outro, carcaça de terceiro) para maximizar o aproveitamento. Assim, aparatos eletrônicos que deixariam de ser usados ganham nova vida, seja por meio da doação a colaboradores ou à revenda acessível, promovendo impacto social, economia circular e garantia de destino ambientalmente correto.

No plano macro, a situação brasileira ainda exige grande esforço. Ainda que a Lei nº 12.305/2010 (Política Nacional de Resíduos Sólidos) tenha estabelecido responsáveis e metas para a destinação adequada dos resíduos, incluindo os eletroeletrônicos, o atual ritmo de reciclagem ainda deixa muito a desejar. O relatório “The Global E-Waste Monitor 2024” aponta que o país é o maior gerador de lixo eletrônico da América do Sul, e registra que a coleta e o reaproveitamento continuam insuficientes.

Além da limitação no volume reciclado, pesquisas apontam também que quase metade da população brasileira não sabe como ou onde descartar corretamente os equipamentos eletrônicos: segundo levantamento, 49% indicam ter dúvidas sobre o processo de destinação. É nessa lacuna de infraestrutura e informação que empresas como a BTB operam, oferecendo um caminho organizado entre empresa geradora do descarte e o ciclo produtivo ou de doação.

Transformar o lixo eletrônico em matéria-prima para a indústria é uma estratégia muito eficaz para reduzir o impacto ambiental causado pelo descarte inadequado desses resíduos. Quando reaproveitados, componentes como metais, plásticos e vidros retornam ao ciclo produtivo, diminuindo a necessidade de extração de recursos naturais, além de evitar que substâncias tóxicas contaminem o solo e os lençóis freáticos.

Importante destacar que o reaproveitamento de lixo eletrônico não é só uma questão de gestão de resíduos, mas também de economia de recursos naturais e energia. Estudos indicam que ao reciclar componentes eletrônicos, evitam-se extrações de minérios, reduzem-se as emissões associadas e prolonga-se a vida útil de aterros e lixões. Assim, a logística reversa e o remanufaturamento representam uma ponte entre o descarte e a economia circular.

Foto: Pexels

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