Custos de insumos, crédito e logística: impactos da produção na rentabilidade do produtor rural no Brasil

Custos de insumos, crédito e logística: impactos da produção na rentabilidade do produtor rural no Brasil

Por Bárbara Souza

O aumento dos custos de produção no campo tem reduzido as margens do produtor rural brasileiro, em um cenário marcado pela volatilidade dos preços de fertilizantes, pela elevação das taxas de juros do crédito rural e por gargalos logísticos no escoamento da safra. Embora a produção agrícola continue em expansão, entidades do setor apontam que o avanço das despesas operacionais têm afetado a rentabilidade de diversas culturas.

Dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) mostram que fertilizantes, sementes, defensivos e operações com máquinas figuram entre os principais componentes do custo de produção agrícola no país, variando de acordo com a cultura e a região produtora. Em algumas lavouras, esses insumos podem representar mais da metade das despesas totais do produtor.

O peso dos fertilizantes é um dos fatores mais observados pelos produtores. O Brasil depende de importações para abastecer o mercado interno e, segundo a Conab, as compras externas do insumo alcançaram 45,5 milhões de toneladas em 2025, um recorde na série histórica. A dependência externa torna os custos sensíveis às oscilações do mercado internacional, influenciadas pelo preço do gás natural e por decisões comerciais de grandes exportadores.

Segundo análise do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), em parceria com a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), a elevação nos preços de fertilizantes tem impacto direto nas margens do produtor, especialmente quando os preços das commodities agrícolas não acompanham o mesmo ritmo de aumento.

“O custo dos insumos é um dos principais fatores que determinam a rentabilidade da atividade agrícola”, afirma um analista da área de custos de produção da Conab. “Quando fertilizantes, defensivos ou sementes apresentam alta, o produtor precisa ajustar o planejamento da safra para manter a viabilidade econômica da lavoura”.

Outro elemento que tem pressionado o caixa das propriedades rurais é o custo do financiamento. O crédito rural é fundamental para o custeio e os investimentos no campo. Na safra 2024/2025, os desembolsos alcançaram cerca de R$ 330,9 bilhões, segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária.

Mesmo com volumes elevados de recursos, a elevação das taxas de juros nas linhas de financiamento tem ampliado o custo financeiro das operações. No Plano Safra 2025/2026, as taxas para médios e grandes produtores passaram a variar entre 8,5% e 14% ao ano, acima da faixa registrada na safra anterior. Especialistas apontam que o aumento acompanha o movimento de alta da taxa básica de juros da economia.

“O crédito rural continua essencial para o funcionamento do sistema produtivo, mas o custo financeiro maior reduz a margem do produtor e aumenta o risco das operações”, afirma um técnico do Ministério da Agricultura que acompanha a execução do Plano Safra.

Além dos insumos e do financiamento, a logística representa outro fator relevante para a rentabilidade no campo. O transporte de grãos, sobretudo em regiões distantes dos portos, pode consumir parcela significativa da receita obtida com a venda da produção. Estudos do grupo Esalq-Log indicam que os custos logísticos podem representar entre 30% e 40% do valor recebido pela soja em algumas regiões produtoras.

O aumento da produção agrícola também tem ampliado a pressão sobre a infraestrutura de transporte. Levantamento da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq/USP) mostra que a dependência do transporte rodoviário para escoar a safra subiu de 44,7% em 2010 para 54,2% em 2023, o que contribui para elevar os custos logísticos.

Apesar desses desafios, o agronegócio segue com papel relevante na economia brasileira. O Produto Interno Bruto (PIB) do setor registrou crescimento de 6,49% no primeiro trimestre de 2025, segundo levantamento do Cepea em parceria com a CNA.

Para especialistas, o equilíbrio entre custos de produção e preços das commodities continuará sendo um dos principais fatores que definirão a rentabilidade do produtor nas próximas safras. A evolução do mercado internacional de insumos, as condições de crédito e os investimentos em infraestrutura logística tendem a permanecer no centro das discussões do setor nos próximos anos.

Foto: Pexels

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