Com tarifaço dos EUA, Fiesp mantém projeção de alta do PIB em 2,4%
Guilherme Jeronymo – Repórter da Agência Brasil
A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) atualizou seu boletim econômico e manteve a projeção de crescimento do PIB em 2,4% para 2025. A entidade chegou a considerar elevar o índice para 2,6%, mas decidiu manter a estimativa anterior.
A manutenção se deveu a uma piora em condições internacionais, com o início do tarifaço do governo dos Estados Unidos.
Nesta semana, o mercado financeiro reviu para baixo as expectativas de crescimento da economia, projetando, para o final de 2025, um PIB de 2,21%.
“A gente antes estava trabalhando com uma perspectiva de viés de alta que por hora se dissipou, até levando em conta a questão das tarifas, mas também é importante destacar que quanto à questão das tarifas, a gente fez um cálculo que o impacto potencial no PIB para 2025 é de 0,2, então na verdade esse 0,2 era o possível viés de alta que a gente podia ter. A gente não fez nenhum tipo de revisão para baixo por enquanto”, explicou Igor Rocha, economista-chefe da Fiesp e um dos responsáveis pelo Fiesp Data Tracker, à Agência Brasil.
Embora a perspectiva siga positiva, a Federação aponta queda em alguns setores. A agropecuária deve recuar 0,6%, e a indústria de transformação, 0,7%. Também é esperada uma redução no consumo dos governos, de 0,4%, e nos investimentos, com recuo de 0,7% nos recursos mobilizados.
“De uma maneira geral, para o segundo semestre, como já antecipado, era esperada essa desaceleração. Nessa acomodação com redução de atividade, os investimentos e o consumo do governo também figuram como variáveis que estão desacelerando. Esse é um movimento de acomodação natural”, ponderou o analista.
No caso da indústria de transformação, essa variação está ligada principalmente ao desaquecimento da economia previsto para o segundo semestre. “É importante destacar que uma das questões que estão colocando empecilhos e deixando o ambiente econômico mais desafiador para o setor são as restrições financeiras internas e externas”, completa Rocha, se referindo ao cenário de crédito, ou seja, aos juros nos mercados externo e interno.

Essa restrição financeira em âmbito internacional é um dos fatores decisivos também para a queda nos investimentos, e se soma com a incerteza natural em anos eleitorais, com a aproximação da sucessão presidencial e nos estados em 2026, e com o aumento de tarifas ao Brasil e a diversos outros parceiros comerciais dos Estados Unidos. As importações também tendem a cair, refletindo a diminuição do ritmo da atividade, recuando em 1,5%.
Consumo das famílias e serviços
Entre os indicadores que continuam aquecidos, o monitoramento apontou uma tendência de crescimento moderado de 0,4% para o setor industrial como um todo e de avanço de 0,3% para o setor de serviços.
O consumo das famílias também tende a aumentar, com expansão da demanda em 0,6%. Mesmo com a incerteza internacional a entidade mantém expectativa de crescimento das exportações, com um discreto avanço de 0,2%.
Foto: Egil Fujikawa/Wikimedia
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