Com domínio dos e-commerces na publicidade, Black Friday acelera disputa por atenção na TV aberta

Com domínio dos e-commerces na publicidade, Black Friday acelera disputa por atenção na TV aberta

Por Bárbara Souza 

O avanço dos e-commerces na corrida pela atenção do consumidor durante a Black Friday ser tornou uma tendência, de acordo com um estudo da Tunad. Analisando as edições de 2021 e 2022 da Black Friday, mostra que as plataformas digitais passaram a dominar as inserções publicitárias na TV aberta e a obter resultados cada vez mais expressivos em termos de interesse imediato do público nos produtos. Isso significa que nesse período de promoções e preços baixos atrativos para o consumidor, os anúncios e publicidades nas mídias tradicionais ainda são mais eficazes para as empresas.  

Em 2021, entre 12 e 26 de novembro, Shopee e Amazon lideraram o ranking das marcas que mais anunciaram. Segundo o estudo, as duas empresas responderam por 13% e 12% das inserções publicitárias, respectivamente. Na sequência, apareceram Gshop, com 10%, Vivo, com 9%, Mercado Livre, com 7%, e Caoa, com 6%. As demais empresas, juntas, concentraram 43% do total de anúncios.

No ano seguinte, esse domínio se tornou ainda mais evidente. Entre 11 e 25 de novembro de 2022, a Shopee ampliou sua participação para 16%. A Amazon manteve forte presença, com 14% das inserções. Além disso, Claro, com 9%, Mercado Livre, com 8%, Ortobom, com 7%, e Havan, com 6%, seguiram com alto nível de exposição. Mais uma vez, o conjunto das demais marcas respondeu por 43% das inserções publicitárias.

A análise da Tunad também examinou o uplift médio, que é a alta nas buscas no Google após a veiculação de anúncios na TV. Em 2022, o Mercado Livre registrou o maior impacto, com 261 pontos, seguido por Shopee (195), Amazon (140), Ortobom (73), Havan (65) e Claro (31). Os números evidenciam como a combinação entre exposição televisiva e conversão digital segue crucial para impulsionar o tráfego e a intenção de compra, especialmente em um momento em que o consumidor está mais sensível a ofertas e estímulos publicitários.

Black Friday 2025: vendas devem alcançar recorde histórico

A expectativa para a Black Friday deste ano acompanha o ritmo de expansão observado na publicidade. Segundo projeções da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), as vendas devem movimentar R$ 5,4 bilhões nesta sexta-feira (28). Se confirmada, essa cifra será a maior desde o início da série histórica, em 2010, e representará um crescimento de 2,4% em relação a 2024.

Esse desempenho ocorre apesar do alto endividamento das famílias, do nível elevado de inadimplência e do encarecimento do crédito. Ainda assim, alguns fatores ajudam a sustentar o consumo. De acordo com o presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac, José Roberto Tadros, o câmbio mais favorável contribui para esse cenário. Nos últimos 12 meses, a taxa média do dólar caiu 8,3%.

Além disso, o mercado de trabalho segue aquecido. O desemprego atingiu o menor nível da série histórica do IBGE, o que reforça a confiança dos consumidores. No segundo trimestre deste ano, a massa real de rendimentos avançou 5,5% em comparação com o mesmo período do ano anterior.

A CNC estima que 68% das vendas estarão concentradas em hiper e supermercados (R$ 1,32 bilhão), eletroeletrônicos e utilidades domésticas (R$ 1,24 bilhão) e móveis e eletrodomésticos (R$ 1,15 bilhão). Um levantamento diário com 150 itens mostrou ainda que 70% das categorias têm potencial de descontos efetivos, com quedas maiores em papelaria, livros, joias, perfumaria e higiene pessoal.

Com campanhas mais agressivas e domínio crescente dos e-commerces na publicidade televisiva, a Black Friday de 2025 se desenha como uma das mais competitivas, e mais lucrativas, dos últimos anos.

Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil

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