“Cibersegurança não é um diferencial, é uma necessidade”, alertam especialistas
Por Bárbara Souza
A digitalização dos negócios trouxe inúmeras facilidades, mas também aumentou a vulnerabilidade das empresas diante de ataques virtuais. Durante a live Papo de Acionista, promovida pelo Diário do Acionista no instagram do jornal, o tema da cibersegurança foi debatido por Marc Rezende, CEO e sócio da MSP Tecnologia, e Evandro Pena, sócio-diretor da empresa, em conversa mediada por Ediana Avelar, publicitária e head de marketing. Os especialistas chamaram atenção para a importância de proteger dados corporativos e pessoais em um cenário de ameaças cada vez mais sofisticadas.
“A cibersegurança é um pilar muito importante para as empresas. As pessoas têm os dados guardados dentro das empresas e muitas vezes pode ser vazado, a LGPD tá aí pra proteger esse processo. A cibersegurança está aí para proteger tanto os dados da pessoa, mas também o segredo do negócio”, destacou Marc Rezende. Ele lembra que informações estratégicas, como fornecedores, valores de compra e venda e bases de clientes, são alvos frequentes de criminosos digitais. “Imagina você perder horas de trabalho pra fazer uma planilha que foi criptografada por um ransomware, e que você já não tem um backup dela? Então proteger isso é proteger a sua empresa”, reforçou.
Segundo o relatório Cybersecurity Outlook 2024, do Fórum Econômico Mundial, o número de ataques cibernéticos aumentou 24% no último ano, com destaque para invasões por ransomware e vazamentos de dados. Evandro Pena explicou que esse é justamente o principal risco das empresas atualmente. “Os principais riscos que as empresas estão correndo hoje com a exposição toda na internet é o vazamento de dados, invasão de sistemas, sequestro de informações, e isso tudo leva à perda de produtos, a danos de imagem da marca. Além disso, tem os riscos legais com a LGPD, que se tornou uma lei a partir de 2018”, afirmou.
Para enfrentar esse cenário, os especialistas ressaltam a necessidade de monitoramento constante. “Hoje a gente tem ferramentas que conseguem monitorar ativamente o perímetro interno e o domínio externo das empresas, de forma ativa. Então durante o dia, ou a noite, essa varredura é real time”, disse Evandro.
Rezende destacou ainda a importância de boas práticas simples, como o uso de senhas fortes e o hábito de alterá-las periodicamente. “Uma das grandes práticas que uma empresa pode ter para se proteger de ataques é usar senhas fortes, que seriam dois caracteres na maiúscula, dois da minúscula, número e caracteres especiais. A gente falava antigamente em 8 algarismos, mas hoje quando falamos de senhas fortes a gente já fala a partir de 12”, explicou. Ele também reforça que a atualização dos softwares é essencial para corrigir vulnerabilidades e que empresas especializadas, como a MSP, podem realizar esse monitoramento automaticamente.
Outra camada indispensável de proteção é o backup. “No final das contas, ele vai fazer com que esse sistema volte. Ele é a última barreira de proteção, e as pessoas não fazem”, alertou Marc, recomendando que sejam feitos em dois locais distintos e checados regularmente. Segundo pesquisa da Kaspersky (2024), 35% das pequenas e médias empresas no Brasil ainda não realizam backup frequente de seus dados, o que aumenta significativamente o risco de perdas irreversíveis.
O fator humano também é apontado como ponto crítico. “Treinar o colaborador é essencial”, observou Marc. Já Evandro recomendou o uso de cofres de senha para armazenamento seguro e destacou a importância de políticas internas de segurança digital.
Os especialistas ainda chamaram atenção para o phishing, técnica usada por hackers para capturar informações por meio de e-mails falsos, e a importância de levar a sério as políticas de proteção de dados. “Manter um antivírus gratuito é a mesma coisa que colocar um cadeado de papel”, comparou Marc. “Eles têm que proteger a caixa de entrada do email da mesma forma que você protege a porta de entrada da sua casa”, completou, alertando empresários, mas também as pessoas de modo geral.
Além das empresas, os consumidores também precisam estar atentos. “Se você entrar em um banco no seu celular, evitar entrar em links que você não conhece, e usar antivírus”, orientou Evandro.
A inteligência artificial, segundo Marc, tem papel duplo nesse cenário, já que pode ajudar na prevenção, mas também pode ser usada por invasores. Ele acredita que ela será parte fundamental do futuro da cibersegurança e defende a segmentação das redes corporativas como estratégia eficaz de proteção.
Encerrando o debate, Marc resumiu o alerta: “Cibersegurança não é um diferencial, é uma necessidade”.