Chegada do verão impulsiona novos negócios e reforça o potencial de empreender com energia solar no Brasil
Por Bárbara Souza
Com a proximidade do verão, período marcado por temperaturas mais elevadas e aumento expressivo no consumo de energia elétrica, a busca por alternativas que reduzam custos e ampliem a eficiência energética volta ao centro das atenções. Nesse cenário, o empreendedorismo ligado à energia solar se consolida como uma das frentes mais promissoras da economia brasileira, unindo retorno financeiro, inovação e sustentabilidade em um momento estratégico do ano.
O Brasil vive uma expansão acelerada da geração fotovoltaica. Dados da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (ABSOLAR) indicam que o país ultrapassou, em 2025, a marca de 60 gigawatts de potência instalada, o equivalente a mais de 23% da matriz elétrica nacional. Esse avanço é impulsionado por fatores como a alta incidência solar, a queda no custo dos equipamentos e um ambiente regulatório que favorece a geração distribuída, especialmente em residências, comércios, indústrias e no campo. Segundo a entidade, o setor já responde por milhões de empregos diretos e indiretos, reforçando seu peso econômico.
A chegada do verão intensifica ainda mais esse movimento. De acordo com o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), os meses mais quentes do ano costumam registrar picos de demanda, puxados principalmente pelo uso de aparelhos de refrigeração. Esse aumento pressiona tarifas e amplia o interesse por soluções que garantam previsibilidade de gastos, o que favorece a adesão à energia solar e, consequentemente, a abertura de novos negócios no setor.
Empreender nesse mercado, no entanto, vai além da instalação de painéis. O ecossistema solar oferece oportunidades que incluem projetos de geração compartilhada, manutenção de sistemas, consultoria energética e comercialização de energia no ambiente de geração distribuída. Modelos voltados a condomínios, pequenos empresários, produtores rurais e até cooperativas vêm ganhando espaço, acompanhando a diversificação da demanda.
Outro fator decisivo é o apelo sustentável. A energia solar é apontada pelo Ministério de Minas e Energia como uma das principais aliadas do Brasil no cumprimento de metas de redução de emissões de gases de efeito estufa. Cada sistema fotovoltaico instalado contribui para diminuir a dependência de fontes fósseis e para fortalecer práticas alinhadas à agenda ESG, cada vez mais valorizada por empresas e investidores.
Especialistas do setor ressaltam que o bom desempenho financeiro do segmento está ligado à combinação entre custos operacionais relativamente baixos e um mercado em franca expansão, que cresce acima da média da economia nacional. A tecnologia também se tornou mais acessível nos últimos anos, o que amplia o público consumidor e cria um ambiente favorável para novos empreendimentos, especialmente em um período do ano em que a conta de luz pesa mais no orçamento.
Com sol abundante, calor intenso e uma matriz energética em transformação, o verão brasileiro se apresenta como uma vitrine natural para quem aposta na energia solar como negócio. Mais do que uma tendência sazonal, trata-se de um setor que reflete mudanças estruturais na forma de produzir e consumir energia no país, abrindo espaço para empreendedores que enxergam no sol uma fonte constante de oportunidades.
Foto: Tânia Rêgo – Agência Brasil
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