Carreira em pauta: metade das demissões no Brasil em 2024 teve origem em comportamentos inadequados

Carreira em pauta: metade das demissões no Brasil em 2024 teve origem em comportamentos inadequados

Por Bárbara Souza

Um levantamento divulgado pelo Observatório de Carreiras e Mercado, da PUCPR, revela um dado alarmante para o mercado de trabalho brasileiro: em 2024, 50% das demissões no país tiveram como principal motivo comportamentos considerados inadequados no ambiente corporativo. 

Essa estatística acende o sinal vermelho não apenas para a rotatividade das equipes, mas também para a crescente relevância das chamadas “soft skills” (habilidades socioemocionais) no momento de avaliar candidatos e manter talentos nas organizações.

Segundo o relatório, a causa comportamental superou em 2024 outras razões comumente apontadas para desligamentos, como automação de processos e cortes de custos, cada uma delas representando cerca de 25% dos casos. Em outras palavras: mais do que tecnologia ou orçamento, atos, atitudes e atitudes de relacionamento parecem hoje pesar decisivamente no vínculo empregatício. Para muitos gestores, um único indivíduo cuja postura compromete a colaboração, a comunicação ou a cultura da empresa deixa de ser uma “variável menor”, e passa a ser uma ameaça potencial à produtividade, à retenção dos demais e à reputação do ambiente de trabalho.

Nesse cenário, as habilidades socioemocionais, que incluem comunicação, adaptabilidade, empatia, inteligência emocional, colaboração, ganham protagonismo e força. Um artigo da Forbes Brasil destaca que competências como curiosidade, aprendizagem contínua, resiliência, flexibilidade e autoconsciência são hoje apontadas como as mais relevantes pelas empresas. Esse mesmo estudo afirma que essas qualidades, diferentemente das “hard skills” (conhecimentos técnicos ou profissionalizantes), são menos suscetíveis à automação e permitem ao colaborador lidar com incertezas, mudanças e interações humanas complexas.

Assim, as empresas estão vendo na prática que não basta contratar alguém com ótimo currículo técnico, se esse colaborador falhar em construir pontes com a equipe, em se adaptar a ritmo acelerado ou em enfrentar conflitos de forma construtiva. O desligamento por “comportamento inadequado” amplia o debate sobre como as organizações avaliam essas competências no momento de recrutamento e seleção, e como apoiam o desenvolvimento desses atributos internamente. Investir em treinamentos que desenvolvam soft skills, criar avaliações mais abertas sobre perfil comportamental, fomentar ambientes que valorizem o diálogo e a cooperação tornam-se fatores estratégicos.

Do ponto de vista dos candidatos, a mensagem também é forte: na era do “talento humano conectado”, dominar softwares ou tecnologias pode garantir a porta de entrada, mas o diferencial para crescimento e estabilidade passa por demonstrar compromisso com valores, facilidade de adaptação e boa convivência. 

Por fim, o indicador do Observatório traz à tona uma reflexão mais ampla sobre cultura organizacional: se metade das demissões é motivada por questões comportamentais, há indícios de que muitas empresas enfrentam lacunas no alinhamento entre valores professados, práticas internas e expectativas dos colaboradores. Em outras palavras, a valorização das soft skills não se resume a contratar bem, mas também a estruturar um ambiente que permita que essas competências floresçam a comunicação fluida, feedbacks constantes, propósito compartilhado, respeito às diferenças. O desafio, portanto, está tanto no indivíduo quanto na organização, e o mercado de trabalho brasileiro parece estar reconhecendo isso com mais clareza do que nunca.

Foto: Pexels

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