Brasileiros com previdência privada economizam mais e têm metas financeiras mais claras, diz estudo
Por Bárbara Souza
Uma pesquisa realizada pelo Instituto Datafolha, a pedido da Bradesco Vida e Previdência, mostrou que os brasileiros que investem em previdência privada conseguem economizar, em média, 40% mais do que aqueles que não possuem um plano. O estudo, feito em dezembro de 2024 com 2.007 entrevistados a partir dos 16 anos, também revelou que 82% dos participantes que aplicam nessa modalidade financeira têm metas e objetivos bem definidos para o futuro, percentual que cai para 66% entre quem não possui o benefício.
O levantamento ainda apontou diferenças significativas de comportamento financeiro. Enquanto 43% dos que não investem em previdência afirmaram preferir viver o presente sem se preocupar com o amanhã, esse índice caiu para 21% entre os investidores, evidenciando uma maior consciência sobre a importância do planejamento de longo prazo entre os que aderem à modalidade.
Os dados mais recentes da Federação Nacional de Previdência Privada e Vida (Fenaprevi) reforçam esse cenário de crescimento e de maior engajamento financeiro. Em fevereiro de 2025, os planos de previdência privada aberta, que permitem adesão individual ou coletiva, registraram 91 mil novos participantes na comparação anual, alcançando 11,2 milhões de brasileiros. Esse contingente representa cerca de 7% da população com mais de 18 anos no país. A maior parte dos planos é individual, representando aproximadamente 80% do total, enquanto 20% correspondem a planos coletivos.
O volume financeiro administrado pelo setor também vem avançando. Segundo a Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg), os ativos sob gestão dos planos abertos chegaram a R$ 1,6 trilhão no início de 2025, o equivalente a 13,4% do Produto Interno Bruto (PIB). Esse montante representa um crescimento de 12,4% em relação ao ano anterior. A captação bruta acumulada em doze meses atingiu R$ 195 bilhões, com resgates de R$ 138 bilhões, o que resultou em uma captação líquida de R$ 57 bilhões, alta de 23,4% em relação ao período anterior.
A predominância dos planos do tipo VGBL (Vida Gerador de Benefício Livre) segue como destaque no mercado. Eles concentram cerca de dois terços da preferência dos clientes e responderam por mais de 90% da captação bruta no início de 2025. Os planos do tipo PGBL (Plano Gerador de Benefício Livre) representam pouco mais de um quinto do total, enquanto os tradicionais ainda ocupam uma fatia minoritária.
Apesar do avanço expressivo, a previdência privada ainda é um recurso pouco explorado pela maioria da população brasileira. Relatórios da Fenaprevi mostram que, embora tenha ultrapassado a marca de 13 milhões de planos ativos, o setor continua restrito a uma parcela pequena da população adulta, o que indica grande potencial de crescimento. Para especialistas, a expansão está diretamente ligada ao fortalecimento da educação financeira, já que o planejamento de longo prazo é um fator determinante para a adesão a esse tipo de investimento.
Nesse contexto, os dados da pesquisa do Datafolha ajudam a compreender a diferença de mentalidade entre quem opta pela previdência e quem ainda não investe nela. Os primeiros não apenas poupam mais, mas também estabelecem metas, organizam melhor seus objetivos e demonstram maior disciplina no trato com as finanças. Já entre os que não investem, prevalece a ideia de viver o presente sem grandes preocupações com o futuro, uma escolha que, segundo especialistas, pode comprometer a segurança financeira em momentos de maior necessidade.
O cenário revela, portanto, que a previdência privada se consolida cada vez mais como um instrumento de poupança e de estabilidade para os brasileiros. Além de ajudar a acumular recursos ao longo do tempo, ela influencia de forma direta na formação de uma mentalidade voltada para o planejamento e para a construção de um futuro financeiro mais seguro.
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