Brasil lidera ranking de salários em tecnologia na América Latina, aponta relatório
Por Bárbara Souza
O Brasil desponta como o país com maiores remunerações na área de tecnologia entre os países da América Latina, segundo um recente relatório da empresa Deel. De acordo com o estudo, profissionais como engenheiros de software e cientistas de dados no país recebem, em média, o equivalente a US$ 67 mil por ano, ou cerca de R$ 358 000 anuais. Esse dado coloca o Brasil no topo da região em termos de remuneração nessa área.
Segundo o levantamento, o Brasil supera o México (US$ 48 mil), a Argentina (US$ 42 mil), o Chile (US$ 40 mil) e a Colômbia (US$ 38 mil) nessa faixa salarial para funções ligadas à tecnologia. Essa liderança regional reflete não apenas o crescimento da demanda por talento local para posições de TI, mas também a crescente valorização dos profissionais em função de desafios como a transformação digital, inteligência artificial e internacionalização de empresas.
A análise aponta que parte da elevação salarial pode estar associada às contratações para atuação remota ou híbrida, bem como à remuneração atrelada a empresas multinacionais com atuação global. O próprio relatório ressalta que o Brasil “ganha” ao se tornar destino de talentos em tecnologia que antes eram atraídos por mercados externos, ou que trabalham para empresas estrangeiras, mesmo estando localizados no país.
Por outro lado, outros bancos de dados apontam que a realidade salarial pode variar bastante dentro da região e não necessariamente refletem o “alto salário” para todos os níveis ou localidades. A pesquisa da Howdy, por exemplo, analisou mais de 12.500 registros e indicou que, na América Latina em 2025, a média anual para desenvolvedores de software oscilava entre US$ 53 000 e US$ 63 000 — com o Brasil estimado em cerca de US$ 53 253. Essa disparidade evidencia que o número “R$ 358 000/ano” deve ser visto como uma média para determinados perfis (engenheiros, data scientists) e não como salário típico para todos os profissionais de TI.
A liderança brasileira tem implicações interessantes para o mercado regional de tecnologia. Primeiro, residentes brasileiros começam a perceber que o país é competitivo não apenas em volume de mão-de-obra, mas também em remuneração. Segundo, a maior remuneração traz desafios: a atração e retenção de talentos, especialmente em áreas de alta especialização, passa a exigir políticas salariais e benefícios mais agressivos. Conforme aponta o estudo da Deel, “o desafio agora é apoiar essa posição”, já que a formação de novos talentos será crucial para sustentar o ritmo de crescimento.
Apesar de liderar o ranking, o mercado brasileiro nessa área enfrenta fatores de risco, como flutuações cambiais, inflação doméstica alta, e concorrência internacional crescente por profissionais com habilidades similares.
Em resumo, apesar do Brasil liderar o ranking latino-americano de salários em TI, mostrando maturidade e competitividade no setor, ainda há poucos profissionais no país dentro dessa faixa. O resultado é uma oportunidade para o setor, e um chamado para ações estratégicas de formação, retenção e qualificação de talentos que sustentem esse avanço no médio e longo prazo.
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