Brasil e México abrem mercados para novos produtos agrícolas
Pedro Rafael Vilela – Repórter da Agência Brasil
O vice-presidente Geraldo Alckmin, que também comanda o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, avaliou como positiva a visita oficial ao México, encerrada nesta quinta-feira (28), na Cidade do México. Ao final da viagem, o ponto alto foi a audiência com a presidenta mexicana, Claudia Sheinbaum, no Palácio Nacional.
“Convidei a presidenta Claudia para a COP30, em Belém, em novembro. Além disso, conversamos sobre multilateralismo, fortalecimento da democracia, inclusão e combate à fome. Foi uma conversa muito proveitosa”, afirmou Alckmin em entrevista coletiva pouco antes de embarcar de volta a Brasília.
Brasil e México são as duas maiores economias da América Latina e têm uma corrente de comércio que somou US$ 13,6 bilhões em 2024. Por isso, um dos objetivos da viagem foi ampliar negociações comerciais em setores estratégicos, como agronegócio e indústria.
Pacote contra a inflação
O governo brasileiro também pediu ao México que mantenha os incentivos do Pacote contra a Inflação e a Escassez (Pacic), que facilita a compra de alimentos pelo Brasil. Segundo o vice-presidente, essa medida é estratégica para o comércio bilateral.
“O México é o segundo destino da carne bovina brasileira. Solicitamos a continuidade do Pacic, que complementa a agropecuária mexicana. Eles exigem rastreabilidade individual da carne. Vamos cumprir, mas queremos evitar a interrupção das vendas enquanto o Brasil avança nesse processo. Temos um cronograma e iremos segui-lo”, afirmou.
Além disso, o vice-presidente comentou o avanço nas negociações para atualizar o Acordo de Complementação Econômica nº 53 (ACE 53), assinado em 2002. O acordo prevê a eliminação ou redução de tarifas de importação em cerca de 800 posições tarifárias. A ideia, segundo ele, é modernizar as regras e ampliar o fluxo comercial.
Paralelamente, Brasil e México firmaram acordos nas áreas de vigilância sanitária, voltados à aprovação de novos fármacos, e também em pesquisa sobre arboviroses. Esses entendimentos incluem a troca de experiências no desenvolvimento de vacinas, como a da dengue, em que o Brasil já está em estágio avançado.
Venda do KC-390
Outro destaque da agenda, segundo o vice-presidente, foi o avanço dos negócios da Embraer no México. A empresa brasileira fechou a venda de 20 aeronaves das famílias de jatos E190 e E195 para a companhia estatal Mexicana de Aviación, a maior do país.
Segundo o vice-presidente, o governo também ofereceu a possibilidade de abrir negócios no setor militar, com a venda do cargueiro KC-390, também fabricado pela Embraer, uma aeronave multimissão com capacidade para transportar até 26 toneladas, realizar reabastecimento aéreo e atuar em missões como busca e salvamento e ajuda humanitária.
“A Embraer está presente no México, tem aqui fábrica de componentes com mais de mil colaboradores”, destacou Alckmin. “Colocamos a pretensão de oferecer o cargueiro KC-390. Não foi resolvido, mas ficou o pleito brasileiro com todos os argumentos favoráveis”, finalizou.
Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil
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