Bolsonaro e aliados podem recorrer e ainda não serão presos; entenda

Bolsonaro e aliados podem recorrer e ainda não serão presos; entenda

André Richter – Repórter da Agência Brasil

A decisão da Primeira Turma do STF, que condenou Jair Bolsonaro e mais sete aliados na ação penal da trama golpista, não será aplicada automaticamente.

Isso ocorre porque os réus ainda podem recorrer da decisão e tentar reverter as condenações pelos crimes imputados: organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado pela violência e grave ameaça e deterioração de patrimônio tombado. O recurso deve ser apresentado na própria Primeira Turma, embora seja raro que haja revisão. Com isso, Bolsonaro e seus aliados podem evitar ou adiar a prisão.

Atualmente, o ex-presidente cumpre prisão domiciliar, mas em decorrência de outro processo. Ele também é investigado por ações junto ao governo dos Estados Unidos, durante o mandato de Donald Trump, para promover medidas de retaliação contra o governo brasileiro e ministros do STF.

Recurso

A partir da publicação do acórdão com a decisão final, as defesas poderão apresentar os embargos de declaração, recurso que tem o objetivo de esclarecer omissões e contradições no texto do julgamento.

Em geral, esse recurso não altera o resultado do julgamento e costuma ser rejeitado. Os embargos são julgados pela própria turma.

Após a análise, o relator, ministro Alexandre de Moraes, poderá determinar o início do cumprimento das penas. Não há prazo definido para esse julgamento.

Com o placar de 4 votos a 1, os acusados não têm direito de levar o caso para o plenário do STF.

Para que o caso fosse reexaminado pelo pleno, os réus precisariam obter pelo menos dois votos pela absolvição, ou seja, um placar mínimo de 3 a 2. Nesse cenário, poderiam protocolar embargos infringentes contra a decisão.

Prisão

Os réus não devem ficar em celas comuns. Oficiais do Exército têm direito à prisão especial, conforme o Código de Processo Penal (CPP).

O núcleo 1 inclui cinco militares do Exército, um da Marinha e dois delegados da Polícia Federal, que também podem ter direito à prisão diferenciada.

São eles: 

  • Alexandre Ramagem (delegado da PF e deputado federal), ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin);
  • Almir Garnier (almirante), ex-comandante da Marinha;
  • Anderson Torres (delegado da PF), ex-ministro da Justiça e ex-secretário de segurança do Distrito Federal;
  • Augusto Heleno (general),  ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional;
  • Jair Bolsonaro (capitão);
  • Paulo Sérgio Nogueira (general), ex-ministro da Defesa;
  • Walter Braga Netto (general), ex-ministro de Bolsonaro e candidato à vice na chapa de 2022. 

O ex-ajudante de ordens de Bolsonaro, Mauro Cid, assinou acordo de delação premiada com a Polícia Federal e não vai cumprir pena. 

Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

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