BNDES aprova R$ 1,2 bi para empresas afetadas pelo tarifaço

BNDES aprova R$ 1,2 bi para empresas afetadas pelo tarifaço

Bruno de Freitas Moura – Repórter da Agência Brasil

Em apenas dois dias após a abertura para pedidos, o plano Brasil Soberano liberou R$ 1,2 bilhão em financiamentos para empresas afetadas pelo tarifaço americano.

O plano de socorro a exportadoras oferece um total de R$ 40 bilhões em crédito para negócios impactados pelas barreiras comerciais, que aplicam taxas de até 50% sobre as exportações brasileiras.

Além disso, o BNDES divulgou na noite de sexta-feira (19) o balanço de pedidos e aprovações.

No período, 533 empresas solicitaram crédito, totalizando R$ 3,1 bilhões. Desse valor, R$ 1,9 bilhão ainda está em análise.

O total de R$ 40 bilhões do Brasil Soberano inclui R$ 30 bilhões do Fundo Garantidor de Exportações (FGE) e R$ 10 bilhões do próprio BNDES.

Os financiamentos atendem a linhas de capital de giro (como salários e pagamento a fornecedores), investimentos na adaptação da produção, compra de máquinas e equipamentos e exploração de novos mercados.

Quem pediu empréstimo

Na quinta-feira (18) e sexta-feira (19), o BNDES realizou 75 operações de crédito, todas na linha de capital de giro.

Nos primeiros dias de aprovação, 84,1% dos pedidos aprovados vieram de empresas da indústria de transformação, setor que transforma matéria-prima em produtos finais ou intermediários.

Em seguida aparecem agropecuária (6,1%), comércio e serviços (5,7%) e indústria extrativa (4,2%).

Além disso, pequenas e médias empresas solicitaram quase 30% do valor total aprovado.

Ao todo, 2.236 empresas acessaram o sistema do BNDES para consultas no Brasil Soberano.
Dessas, 533 empresas se qualificaram, ou seja, tinham pelo menos 5% do faturamento bruto vinculado a produtos da lista de tarifação, no período de julho de 2024 a julho de 2025.

O presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, destaca a agilidade na aprovação dos recursos, fruto do compromisso do banco e de 50 instituições financeiras parceiras.

Segundo Mercadante, “nosso objetivo é proteger empregos, fortalecer empresas e a economia e estimular a participação em novos mercados”.

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Como acessar

O primeiro passo para acessar os recursos é consultar se a empresa é elegível para o plano de socorro. A consulta pode ser feita no site do BNDES

Os interessados devem se autenticar na plataforma GOV.BR, usando exclusivamente o certificado digital da empresa.

Se o sistema indicar que a empresa está apta ao crédito, o recomendado é contatar o banco com o qual já mantém relacionamento. Além disso, grandes empresas podem procurar diretamente o BNDES.

Efeitos do tarifaço

Um levantamento da Amcham Brasil, entidade sem fins lucrativos que representa empresas que atuam no comércio entre Brasil e EUA, indica que as exportações de produtos afetados pelo tarifaço americano caíram 22,4% em agosto em comparação com o mesmo mês de 2024.

Os Estados Unidos são o segundo maior parceiro comercial do Brasil, atrás apenas da China.

O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços informa que o tarifaço de 50% incide em cerca de 35,9% das exportações brasileiras para os EUA.

O governo de Donald Trump assinou uma ordem executiva que aplica taxas de até 50% a partir de 6 de agosto. No entanto, ele excluiu cerca de 700 produtos, incluindo suco e polpa de laranja, combustíveis, minérios, fertilizantes e aeronaves civis (motores, peças e componentes).
Além disso, também foram excluídos produtos como polpa de madeira, celulose, metais preciosos, energia e produtos energéticos.

>> Confira a lista de quase 700 produtos que não serão taxados pelos EUA

Trump alega que os americanos têm déficit comercial com o Brasil, ou seja, compram mais do que vendem. No entanto, os números oficiais de Brasil e EUA desmentem essa afirmação.

O presidente americano também justificou a medida pelo tratamento dado pelo Brasil ao ex-presidente Jair Bolsonaro, que ele considera perseguido. Bolsonaro foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por tentativa de golpe de Estado, em julgamento que terminou na semana passada.

Foto: Pexels

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