“As variações climáticas podem gerar danos irreversíveis à estabilidade financeira do produtor rural”, afirma especialista do setor sobre importância do Seguro Agrícola
Por Bárbara Souza
“As consequências das variações climáticas podem gerar danos significativos e até irreversíveis à estabilidade financeira do produtor rural”. A afirmação de Moacir Oss Emmer, Coordenador Técnico Comercial da Essor Seguros em entrevista ao Diário do Acionista, sintetiza um alerta que ganha força em um país onde a agricultura depende cada vez mais de proteção diante de eventos climáticos extremos. E essa preocupação não é infundada: segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), apenas cerca de 14% da área cultivada no Brasil possui cobertura de seguro rural, um número baixo diante da dimensão dos riscos envolvidos.
Nos últimos anos, secas prolongadas, excesso de chuvas e fenômenos como granizo têm causado prejuízos crescentes. Um estudo do Climate Policy Initiative (CPI) mostra que, apesar do aumento das perdas agrícolas, a oferta de seguros não evolui no mesmo ritmo, deixando produtores vulneráveis. É nesse cenário que o seguro agrícola se torna uma ferramenta essencial para garantir a continuidade da produção e reduzir a exposição financeira no campo.
Emmer reforça que a cultura do seguro ainda precisa avançar: “Diante disso, é fundamental que os produtores sigam desenvolvendo a cultura do seguro agrícola, como gestores naturais de risco, contando com o apoio de políticas públicas que também os incentivem. Nós da Essor Seguros, continuamos trabalhando para desenvolver produtos adequados aos riscos específicos de cada agricultor, garantindo proteção eficaz e alinhados à realidade do campo”.
Uma das barreiras ainda presentes é a percepção de que o seguro é apenas um custo adicional. Para Emmer, isso precisa mudar. “É preciso seguir investindo em produtos e soluções adequadas às necessidades de cada região e cultura, buscando equilíbrio entre o risco e a sustentabilidade da operação para que possamos ter continuidade e constância”, afirma o coordenador técnico da empresa que já atua há mais de 25 safras nesse meio.
Segundo ele, fatores como incentivos governamentais e previsibilidade de recursos também são fundamentais para ampliar o acesso. “Aumentar a conscientização exige educação, incentivos e produtos que realmente atendam às necessidades do produtor, mostrando que o seguro agrícola é um investimento em segurança e continuidade da produção”.

Atualmente o mercado oferece diversas opções de coberturas que atendem desde grãos de verão e inverno até frutas e hortaliças, em modalidades multirriscos, em que a apólice cobre um conjunto amplo de riscos, ou dos chamados riscos nomeados, em que só estão cobertos os riscos que são explicitamente listados na apólice.
“Nosso olhar está permanentemente voltado para a inovação”, explica Emmer sobre o mercado, e mais especificamente sobre a Essor. Essa inovação inclui o uso de ferramentas digitais, análise de dados e novas formas de cobertura, como o seguro paramétrico, em que a indenização não depende da comprovação detalhada de perdas, mas sim do ocorrido dentro de um parâmetro previamente definido. Esse tipo de seguro vem ganhando espaço, embora não substitua os modelos tradicionais.
A transformação tecnológica também tem elevado a precisão das análises de risco. “Os avanços tecnológicos, aliados ao conhecimento técnico de nossas equipes, têm transformado a forma como avaliamos os riscos no seguro agrícola”, afirma. Para ele, esses recursos facilitam desde a precificação até a regulação de sinistros, tornando o processo mais ágil e alinhado às demandas de um setor que evolui a cada safra.
Ao fim, a mensagem de Emmer reforça um ponto central: num ambiente agrícola cada vez mais desafiador, o seguro deixa de ser uma opção e passa a ser um instrumento estratégico para garantir não apenas o resultado da safra, mas a própria continuidade da atividade rural.
Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil
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