Tecnologia amplia acesso aos investimentos e mercado de capitais já movimenta R$ 8,7 trilhões no Brasil

Por Redação
A expansão das plataformas digitais, o uso de inteligência artificial e a automatização de serviços financeiros estão modificando a forma como brasileiros investem e empresas captam recursos. Segundo dados divulgados em agosto de 2026 pela Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), a tecnologia tem contribuído para reduzir custos operacionais, ampliar o acesso aos investimentos e impulsionar o financiamento de empresas no país. O movimento acompanha o crescimento do mercado de capitais, que alcançou R$ 8,7 trilhões em recursos em 2025, equivalente a 68,5% do Produto Interno Bruto (PIB).
De acordo com a entidade, o estoque de títulos privados não bancários, incluindo debêntures, certificados de recebíveis imobiliários (CRIs) e do agronegócio (CRAs), chegou a R$ 3,9 trilhões. Já o valor das ações emitidas por empresas atingiu R$ 4,8 trilhões. Os dois indicadores mais que dobraram em sete anos, demonstrando a expansão dos instrumentos utilizados para financiar atividades econômicas.
A digitalização também permitiu que investidores realizassem aplicações por meio de celulares e plataformas de corretoras, sem depender exclusivamente do atendimento presencial. Ferramentas de análise de dados e sistemas automatizados passaram a integrar processos de avaliação de riscos, acompanhamento de carteiras e execução de operações.
Para Zeca Doherty, diretor-executivo da Anbima, a incorporação dessas ferramentas exige atenção às regras de funcionamento do setor. “O futuro do mercado de capitais brasileiro será cada vez mais digital. Nosso papel é garantir que cada nova tecnologia seja acompanhada por padrões claros de governança e pela preparação dos profissionais e investidores que atuam nesse ecossistema”, afirmou o executivo em comunicado divulgado pela entidade.
Inteligência artificial e digitalização transformam o mercado financeiro
O avanço tecnológico também aparece nos meios de pagamento. Segundo o Banco Central (BC), o Pix registrou quase 80 bilhões de transações em 2025, movimentando mais de R$ 35 trilhões. Ao final daquele ano, 148 milhões de pessoas físicas e 12,8 milhões de empresas já haviam utilizado o sistema, indicando a dimensão da digitalização dos serviços financeiros brasileiros.
Outro instrumento dessa transformação é o Open Finance, que permite o compartilhamento de informações financeiras entre instituições, mediante autorização dos clientes. A integração pode facilitar a comparação de produtos, a oferta de crédito e o desenvolvimento de serviços adaptados ao perfil dos consumidores.
No mercado de capitais, a Anbima aponta que 33,6% dos recursos captados por empresas não financeiras já têm origem nesse segmento, participação próxima à do crédito bancário, de 33,3%. A indústria de fundos também concentra 57% dos títulos privados em circulação, com aproximadamente R$ 810 bilhões aplicados em ativos de crédito corporativo.
Apesar dos avanços, a incorporação de tecnologias envolve desafios relacionados à segurança cibernética, à proteção de dados e à supervisão das operações. Para a Anbima, a combinação entre inovação, educação financeira e governança será determinante para ampliar a participação dos investidores e sustentar o crescimento do setor.
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