5G no Brasil: avanços, desafios e a revolução digital que já começou

5G no Brasil: avanços, desafios e a revolução digital que já começou

Por Bárbara Souza

“O 5G não é apenas uma evolução do 3 e 4G, mas a fundação de uma nova revolução digital, habilitando soluções em larga escala para desafios urbanos, industriais e sociais. À medida em que se populariza, o potencial de inovação só tende a crescer, trazendo consigo oportunidades, desafios e transformações inéditas para o mundo e para nós”, afirma Bruno Gomes, CEO da BTB Soluções.

A visão do executivo se comprova em diferentes setores da economia. Na indústria, a conectividade de quinta geração já sustenta projetos de manufatura avançada. Em 2024, a Embraer inaugurou em São José dos Campos um laboratório de manufatura inteligente com 5G privado, conectando sensores, robôs colaborativos e sistemas de realidade aumentada para monitoramento em tempo real. “Esse tipo de aplicação mostra como a tecnologia pode reduzir falhas, aumentar a eficiência e permitir intervenções remotas em processos críticos”, explica Gomes.

No agronegócio, a transformação também é visível. Em parceria com a John Deere, a Claro lançou em 2023, no Mato Grosso, uma fazenda conectada com tratores autônomos, drones e sensores de solo transmitindo dados em tempo real. “O agro brasileiro é um dos setores que mais têm a ganhar com o 5G, porque a conectividade possibilita maior produtividade, menos desperdício e uso mais inteligente da água e de insumos”, reforça o executivo.

A logística e o transporte seguem a mesma trilha. O Porto de Santos iniciou, em 2024, a implantação de sua rede privada 5G para guindastes remotos, etiquetas inteligentes e monitoramento de cargas em tempo real. Em janeiro deste ano, um convênio com o Itaipu Parquetec consolidou o projeto, que deve receber mais de R$ 30 milhões em investimentos nos próximos três anos. “Estamos falando de uma tecnologia que coloca o Brasil no patamar dos portos mais modernos do mundo, como Hamburgo, na Alemanha”, compara Gomes.

Na saúde, os avanços ganham contornos ainda mais sensíveis. Em Recife, o Hospital das Clínicas realizou em 2024 procedimentos de telecirurgia com robôs assistidos remotamente, explorando a baixa latência do 5G. “A medicina é um dos campos que mais se beneficiam dessa conectividade, porque cada milissegundo pode fazer diferença em um atendimento de urgência ou em uma cirurgia à distância”, avalia.

As mudanças chegam também ao dia a dia dos brasileiros. Durante o Carnaval do Rio de Janeiro de 2024, blocos e desfiles foram transmitidos em 4K com milhares de pessoas conectadas ao mesmo tempo. Para o executivo, esse é um exemplo claro de como a tecnologia se traduz em experiências cotidianas. “O usuário percebe na prática uma conexão mais estável, sem travamentos, em chamadas de vídeo, transmissões ao vivo e até nos jogos online. É uma diferença sentida no bolso e na rotina”, observa.

Apesar da expansão, os obstáculos ainda são expressivos. O 5G exige uma infraestrutura mais densa de antenas e fibras ópticas, o que torna a implementação em áreas rurais e cidades menores um desafio econômico. “O investimento é alto e o retorno, incerto, por isso muitas operadoras buscam parcerias com provedores locais para viabilizar a cobertura fora dos grandes centros”, explica Gomes.

Outro ponto sensível é a regulação. A aprovação da chamada Lei das Antenas em São Paulo, em 2024, acelerou a instalação de novas torres, mas a legislação ainda representa um entrave em outros estados. Além disso, o preço dos aparelhos compatíveis com a rede permanece elevado. “A tendência é que esses custos caiam à medida que mais fabricantes, especialmente asiáticos, tragam modelos para o mercado brasileiro”, projeta o CEO.

A escassez de mão de obra técnica também está no radar. A Anatel, por meio do Programa Futuro 5G, tem oferecido cursos gratuitos para formar profissionais especializados em diferentes regiões do país. “Sem capacitação, a rede não se expande com a velocidade necessária. É preciso investir em gente tanto quanto em antenas e cabos”, enfatiza Gomes.

O futuro, no entanto, parece já delineado. Cidades chinesas como Shenzhen testam frotas inteiras de ônibus autônomos conectados em 5G, enquanto universidades japonesas utilizam realidade virtual imersiva para integrar estudantes de diferentes países. Em Barcelona, sensores inteligentes já controlam iluminação pública e coleta de resíduos.

No Brasil, empresas de mineração no Pará testam a operação remota de equipamentos pesados por meio da rede, aumentando a segurança em áreas de risco. “Estamos diante de um salto tecnológico que vai muito além da conectividade. O 5G é a base para cidades mais inteligentes, indústrias mais eficientes e serviços mais acessíveis. Ele tem o poder de redefinir a economia e também o nosso modo de viver”, conclui o executivo.

Foto: Marcello Casal JrAgência Brasil

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