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	<title>#conflitos tributários &#8211; Diário do Acionista</title>
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		<title>Pacote de Haddad mira alta de receitas e inclui desempate a favor da União em conflitos tributários</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 12 Jan 2023 15:06:10 +0000</pubDate>
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<p>O pacote de medidas econômicas a ser anunciado pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), vai centrar esforços na recuperação da arrecadação do governo federal e inclui a retomada do voto de desempate a favor da União em disputas tributárias com contribuintes.</p>



<p>O anúncio está programado para esta quinta-feira (12) no Palácio do Planalto e deve contar com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), num sinal de apoio político às iniciativas -muitas delas impopulares, pois significam na prática um aumento de tributos.</p>



<p>Os ministros Rui Costa (Casa Civil) e Simone Tebet (Planejamento e Orçamento) também são aguardados para o anúncio. Apesar dos atos golpistas que resultaram na depredação das sedes dos três Poderes, a equipe decidiu manter o cronograma planejado para dar uma demonstração de que o trabalho do governo continua.</p>



<p>O foco do time econômico é a redução de um déficit de R$ 231,55 bilhões projetado para este ano, que foi classificado como &#8220;absurdo&#8221; por Haddad em seu discurso de posse. O mercado cobra uma sinalização firme de redução desse rombo para manter a dívida pública em patamar sustentável.</p>



<p>O pacote deve incluir quatro MPs (medidas provisórias), dois decretos presidenciais, uma portaria interministerial e uma portaria conjunta da Receita Federal e da PGFN (Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional).</p>



<p>Uma das MPs buscará restabelecer o chamado &#8220;voto de qualidade&#8221; no Carf (Conselho de Administração de Recursos Fiscais), tribunal administrativo que julga conflitos tributários.</p>



<p>O voto de qualidade assegurava à Receita a manutenção da cobrança em caso de empate no julgamento -algo comum em disputas envolvendo grandes valores, uma vez que o tribunal é formado por representantes do Fisco e dos contribuintes.</p>



<p>Sensível a interesses de grupos, o Congresso fez ao longo dos anos uma série de investidas contra o voto de qualidade e finalmente obteve sucesso em 2020, durante o governo Jair Bolsonaro (PL). Naquele ano, o desempate em favor da Receita foi extinto, impondo derrotas bilionárias à União em novos julgamentos.</p>



<p>Durante as discussões, o governo chegou a levantar dúvidas jurídicas sobre a possibilidade de retomar o voto de qualidade, uma vez que o STF (Supremo Tribunal Federal) caminhava para se manifestar a favor da legalidade da mudança feita em 2020 -o julgamento foi suspenso em março de 2022 por um pedido de vista.</p>



<p>Apesar do risco, a medida acabou sendo incluída no pacote a ser anunciado por Haddad, que tem dado ênfase aos problemas a serem enfrentados no Carf. O ministro tem chamado atenção para o aumento significativo do estoque de processos, que saltaram de R$ 600 bilhões para R$ 1,2 trilhão em quatro anos.</p>



<p>Em entrevista à Folha de S.Paulo, o secretário do Tesouro Nacional, Rogério Ceron, disse que &#8220;ter uma solução para o Carf é essencial&#8221;.</p>



<p>Em debates internos na semana passada, a equipe de Haddad chegou a discutir ações de receitas extraordinárias, como um &#8220;incentivo à redução da litigiosidade no Carf&#8221;, cujo potencial era calculado em R$ 53,77 bilhões.</p>



<p>Outra opção é um &#8220;incentivo extraordinário à denúncia espontânea&#8221;, estimado em R$ 33,77 bilhões.<br>O pacote de medidas também deve incluir a reversão de desonerações tributárias adotadas pelo governo anterior. Uma delas mira o corte nas alíquotas de PIS/Cofins sobre receitas financeiras de grandes empresas, cujo impacto seria próximo a R$ 4,4 bilhões.</p>



<p>Outra medida que estava nas discussões prévias é o aproveitamento de créditos de ICMS, imposto estadual, pelas empresas. Ela tem relação com o julgamento no STF que retirou o ICMS da base de cálculo de PIS/Cofins nas operações de venda feitas pelas empresas.</p>



<p>O problema é que o julgamento não contemplou as aquisições de insumos das companhias, que continuavam considerando o ICMS na base de cálculo dos tributos federais nessas operações porque isso era mais vantajoso -elas ficam com um crédito tributário maior a ser abatido posteriormente.</p>



<p>Na prática, segundo técnicos, a distorção permite que os contribuintes usem como crédito um tributo que não foi pago. Por isso, há a possibilidade de se corrigir o problema via MP, restabelecendo uma cobrança de ao menos R$ 30 bilhões em tributos. Essa medida teria um impacto mais duradouro sobre a arrecadação do que outras tidas como extraordinárias, centradas em 2023.</p>



<p>Também havia, nas discussões preliminares, um impacto estimado em R$ 28,7 bilhões com a reoneração de tributos federais sobre gasolina e etanol a partir de março.</p>



<p>No início do ano, Lula editou uma MP prorrogando a desoneração sobre combustíveis, com validade de 12 meses para diesel e gás de cozinha e de 60 dias nos demais casos. Haddad vinha justificando a medida como o tempo necessário até se ter a passagem de bastão no comando da Petrobras -que será presidida por Jean Paul Prates. O objetivo é obter uma solução estruturam em conjunto com a companhia.</p>



<p>O pacote de Haddad ainda deve trazer medidas para reduzir despesas, como revisão de contratos e programas -cujo impacto era estimado em R$ 15 bilhões nas discussões preliminares.</p>



<p>Em entrevista à Folha de S.Paulo, Ceron afirmou que a agenda precisava envolver tanto o ganho de arrecadação quanto a redução de despesas, mas argumentou que o aumento de receitas não significava uma expansão da carga tributária. &#8220;Trata-se de discutir a manutenção da carga tributária que existia ao final de 2022&#8221;, afirmou na ocasião.</p>



<p>&#8220;A receita líquida do governo federal deve ficar em torno de 18,7%, 18,8% do PIB em 2022. Para 2023, as renúncias tributárias feitas no ano passado derrubam 1,5 ponto percentual do PIB. A receita líquida cai para 17,2% do PIB. Isso significa mais de R$ 100 bilhões renunciados sem lastro. É um grande impacto&#8221;, disse.</p>



<p>(<strong>Idiana Tomazelli &#8211;</strong> <strong>Folhapress</strong> /<strong>Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom</strong>)</p>



<p>LEIA TAMBÉM: <a href="https://diariodoacionista.com.br/haddad-arcabouco-fiscal-tera-premissas-confiaveis-e-sustentabilidade/">Haddad: arcabouço fiscal terá premissas confiáveis e sustentabilidade</a></p>
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