Setor de energias renováveis projeta retomada em 2027, mas enfrenta desafios para atrair investimentos

Por Redação
O setor de energias renováveis do Brasil projeta uma retomada dos investimentos a partir de 2027, impulsionada pela continuidade do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e pela expectativa de implementação de políticas voltadas à transição energética. Apesar das perspectivas de recuperação, empresas de geração eólica e solar enfrentam restrições na produção de eletricidade, dificuldades de escoamento e incertezas regulatórias que têm levado ao adiamento de projetos no país.
A expectativa foi apresentada por representantes do setor durante o evento Brazil Wind Power, realizado nesta terça-feira (27). Segundo a Associação Brasileira de Energia Eólica (ABEEólica), os investimentos anunciados por empresas como Casa dos Ventos e Statkraft devem começar a se refletir na ampliação da capacidade de geração a partir do segundo semestre de 2027.
Os números da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) mostram a participação das fontes renováveis no sistema brasileiro. De acordo com o Balanço Energético Nacional 2026, referente a 2025, as fontes renováveis representaram 86,8% da oferta interna de eletricidade. Juntas, as gerações eólica e solar responderam por 26,4% da produção nacional.
A geração solar alcançou 88,1 terawatts-hora (TWh) em 2025, crescimento de 24,7% em relação ao ano anterior. Já a produção eólica chegou a 116,5 TWh, avanço de 8,2% na mesma comparação.
Cortes de geração e infraestrutura desafiam recuperação das renováveis
Um dos obstáculos à expansão é o chamado curtailment, mecanismo de redução obrigatória da geração quando há excesso de oferta ou limitações na transmissão de eletricidade. A prática provoca perdas financeiras às empresas e compromete a rentabilidade dos empreendimentos.
Em outubro, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) aprovou regras para reorganizar os cortes de geração, estabelecendo critérios de distribuição das restrições entre diferentes fontes. A implementação será gradual, com período de testes antes da aplicação definitiva.
A presidente da ABEEólica, Elbia Gannoum, avalia que a recuperação da indústria eólica poderá ganhar força entre 2027 e 2028. Segundo projeção apresentada pela entidade, a expansão poderá alcançar entre 6 e 7 gigawatts anuais a partir de 2030, caso avancem as políticas industriais e os investimentos previstos.
Outra aposta para ampliar o consumo de eletricidade é a instalação de centros de processamento de dados, conhecidos como data centers, e de indústrias que utilizam fontes renováveis.
O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, defendeu a aproximação desses empreendimentos dos polos de geração. “Nós vamos levar os datacenters para o Nordeste brasileiro, diminuindo a necessidade de transmissão”, afirmou durante seminário da Fundação Getulio Vargas (FGV), em 2025.
Segundo o Ministério de Minas e Energia, os pedidos de conexão de data centers à rede elétrica cresceram 330% entre 2024 e 2025. Em junho de 2026, o governo informou que projetos correspondentes a 7,1 gigawatts de demanda representavam uma perspectiva de R$ 159 bilhões em investimentos nos anos seguintes.
Apesar das projeções, a recuperação dependerá da ampliação da infraestrutura de transmissão, do crescimento do consumo e da redução das perdas provocadas pelos cortes de geração. Esses fatores deverão influenciar o ritmo dos investimentos e a expansão das fontes renováveis nos próximos anos.
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