Calor extremo ameaça produtividade, pressiona preços e pode gerar perdas de US$ 2,4 trilhões na economia global

Por Redação
O avanço das temperaturas globais e a maior frequência de eventos climáticos extremos estão ampliando os riscos para a economia, com impactos sobre a produção agrícola, o mercado de trabalho, o consumo de energia e os preços dos alimentos. Em 2026, projeções da Organização Meteorológica Mundial (OMM) reforçaram o alerta de que o aquecimento do planeta pode ultrapassar temporariamente 1,5°C em relação ao período pré-industrial, intensificando os desafios econômicos para países como o Brasil.
Segundo relatório divulgado pela OMM em maio, existe uma probabilidade de 91% de que pelo menos um ano entre 2026 e 2030 registre temperatura média global superior a 1,5°C acima dos níveis pré-industriais. A organização também estima em 75% a possibilidade de a média dos cinco anos superar esse patamar. O limite estabelecido pelo Acordo de Paris, entretanto, considera o aquecimento sustentado por um período prolongado.
Os efeitos econômicos já aparecem em setores dependentes das condições climáticas. Na agricultura, temperaturas elevadas e alterações no regime de chuvas podem comprometer safras, reduzir a oferta de produtos e aumentar os custos de produção. No Brasil, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que a produção de cereais, leguminosas e oleaginosas cresceu 18,2% em 2025, após um ano marcado por condições climáticas desfavoráveis.
A instabilidade na produção agrícola também pode atingir o orçamento das famílias. A redução da oferta de alimentos tende a pressionar os preços, enquanto produtores enfrentam despesas adicionais com irrigação, armazenamento e recuperação de áreas afetadas por secas ou enchentes.
Calor extremo pode reduzir produtividade e elevar custos das empresas
Os efeitos do aquecimento também alcançam o mercado de trabalho. Estudo da Organização Internacional do Trabalho (OIT), publicado em 2019, estima que o estresse térmico poderá provocar a perda de 2,2% das horas trabalhadas no mundo até 2030, equivalente a 80 milhões de empregos em tempo integral e a US$ 2,4 trilhões em perdas econômicas anuais.
A agricultura e a construção civil estão entre os setores mais expostos, especialmente pela presença de trabalhadores em ambientes externos. O calor excessivo pode exigir pausas, alterações de jornadas e investimentos em proteção, afetando os custos operacionais.
“O impacto do estresse térmico sobre a produtividade do trabalho é uma consequência grave das mudanças climáticas”, afirmou Catherine Saget, pesquisadora da OIT e uma das autoras do levantamento, em tradução de declaração divulgada pela organização.
Outro impacto envolve o setor energético. O aumento da utilização de aparelhos de refrigeração eleva a demanda por eletricidade, enquanto períodos de estiagem podem comprometer a geração hidrelétrica, ampliando a necessidade de outras fontes de energia.
Para a secretária-geral da OMM, Celeste Saulo, as temperaturas elevadas em terra e nos oceanos contribuíram para intensificar fenômenos como ondas de calor, chuvas intensas e ciclones tropicais. Em janeiro de 2026, ela destacou a importância dos sistemas de alerta para reduzir os riscos associados a esses eventos.
Diante desse cenário, investimentos em infraestrutura, adaptação climática e prevenção de desastres passam a integrar o planejamento econômico de governos e empresas, com reflexos sobre a produção, o emprego e o custo de vida.
Foto: Marcelo Camargo – Agência Brasil
LEIA TAMBÉM: Unctad: economia global pode desacelerar para 2,3% em 2025 sob pressão de tensões comerciais
