Viaduto desaba em Brasília e esmaga quatro carros

Brasília - Uma parte de um viaduto desabou por volta do meio-dia no Eixão Sul, na área central da capital federal (Marcelo Camargo/Agência Brasil)

Parte de um viaduto do Eixo Rodoviário de Brasília – o chamado Eixão, principal via que corta os 14 quilômetros de extensão do Plano Piloto – desabou às 11h45 desta terça-feira, horário de grande movimento de tráfego, sem deixar vítimas. Quatro carros estacionados embaixo da pista foram esmagados. A queda do vão ainda danificou um restaurante que funcionava entre os pilares da estrutura. O refeitório abriria as portas ao meio-dia.

O incidente aconteceu seis anos após o Tribunal de Contas do Distrito Federal destacar, em relatório, a necessidade de reparo e manutenção urgente do local, sete anos depois de o Conselho Regional de Engenharia pedir vistorias imediatas e passados seis meses da publicação de um estudo do Sindicato de Engenharia e Arquitetura que exigia atenção do governo de Brasília para as rachaduras.

Em 2014, o então governador Agnelo Queiroz apresentou o documento Matriz de Responsabilidades, chancelado pela Fifa, que considerava o sistema viário da área central da cidade em perfeitas condições de estrutura. Sem esconder a tensão, o atual governador, Rodrigo Rollemberg (PSB), admitiu que já tinha informações sobre problemas do viaduto.

Em entrevista após o desabamento, prometeu a liberação de R$ 1,4 milhão para tirar o entulho e reconstruir a estrutura. “Desde o início do nosso governo fizemos manutenção em oito viadutos. Seis tiveram reforço da estrutura, infelizmente esse não recebeu manutenção. Brasília é uma cidade que está envelhecendo”, disse.

O Eixão cruza o Eixo Monumental – via onde está a Catedral e os prédios da Esplanada dos Ministérios, formando o “sinal da cruz”, na definição do urbanista Lúcio Costa, autor do Plano Piloto. O viaduto é um trecho do Eixão próximo ao Buraco do Tatu, passagem subterrânea, no marco zero da cidade, que liga as duas asas de quadras residenciais.

Embaixo do viaduto funciona a Galeria dos Estados, um centro comercial planejado por Costa para ser a Times Square brasiliense. O lugar hoje abriga apenas alguns restaurantes populares e bares que atendem trabalhadores dos setores bancário e de autarquias sul, áreas da cidade onde estão os prédios do Banco Central, da Caixa Econômica Federal, do Banco do Brasil, da Polícia Federal e de tribunais de Justiça

Riscos

Oficiais dos bombeiros ouvidos pela reportagem afirmaram que há riscos de novos desabamentos em todo o complexo de pistas, marquises e da grande plataforma localizada no centro da cidade, onde está a rodoviária, que começou a ser construído no fim dos anos 1950. Setores dos bombeiros e da Defesa Civil pediram ao governo uma vistoria ampla de todo o sistema viário, que apresenta fendas, concreto e ferros expostos e infiltrações. A reconstrução do viaduto levará pelo menos seis meses.

(Leonencio Nossa – Repórter da Agência Estado)