Separatistas do Iêmen aceitam acordo de paz e renunciam à autonomia

Separatistas do Iêmen (foto) anunciaram nesta quarta-feira que estão renunciando à autonomia no sul do país e se declararam dispostos a colocar em prática um acordo de paz que prevê a divisão do poder na região.
Segundo o enviado das Nações Unidas, a iniciativa é um passo importante para uma resolução pacífica a cinco anos de conflito.
No Twitter, o porta-voz do STC (Conselho de Transição do Sul), Nizar Haitham, disse que a renúncia à autonomia abre espaço para a aplicação do acordo de Riad, compromisso estimulado por Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos.
O acordo foi assinado em novembro de 2019 e prevê uma divisão de poder no sul do Iêmen entre o governo e os separatistas –os dispositivos, no entanto, ainda não foram implementados.
O plano indica que o primeiro-ministro forme um novo governo nos próximos 30 dias e que um governador seja nomeado em Aden, capital do sul do país, onde os separatistas estabeleceram sua base.
No fim de junho, o presidente iemenita, Abd Rabo Mansur Hadi, havia feito um apelo aos separatistas para “acabar com o derramamento de sangue” e garantir o respeito ao acordo de divisão do poder.
Foi o primeiro discurso público do presidente, exilado na Arábia Saudita, desde que os separatistas do sul declararam sua autonomia, em abril.
O conflito entre o governo e os separatistas do STC, a princípio aliados contra os rebeldes houthis, representa uma guerra dentro da Guerra do Iêmen.
O país é controlado por vários grupos que disputam o poder. O norte está nas mãos dos rebeldes houthis, enquanto o sul é dominado por separatistas. Já as forças aliadas do governo tentam reconquistar o território nacional com a ajuda de uma coalizão militar árabe liderada pela Arábia Saudita.
Se o acordo realmente entrar em vigor, será considerado uma vitória para os sauditas. Riad quer reconciliar as forças do governo com os separatistas para se concentrar na luta contra os houthis.
Nesta quarta, o príncipe Khalid bin Salman, vice-ministro saudita da Defesa, celebrou o sucesso dos esforços de seu país, que “levaram o governo iemenita e o STC a aceitar o mecanismo proposto para aplicar o acordo de Riad”.
O consenso “mostra que é possível resolver as divergências no Iêmen por meio do diálogo, sem o uso da força”, completou em postagem no Twitter.
O conflito regional aumentou a complexidade da guerra que devasta o Iêmen há cinco anos e que provocou dezenas de milhares de mortes no país mais pobre da península arábica e palco da pior crise humanitária do mundo, segundo a ONU.