País gera 644 mil vagas com carteira assinada em 2019, maior saldo desde 2013

Brasília - O deputado Rogerio Marinho, relator do projeto da reforma trabalhista (PL 6.787/16), apresenta o parecer sobre a proposta (Antonio Cruz/Agência Brasil)

No ano passado, foram criadas 644.079 vagas com carteira assinada no país. Esse é o melhor resultado anual desde 2013, quando foram gerados mais de 1,1 milhão de postos de trabalho formais.
Os dados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) foram divulgados nesta sexta-feira pelo Ministério da Economia. No fim de 2019, o governo apresentou uma projeção para o comportamento do emprego no ano.
O secretário especial de Previdência e Trabalho do Ministério da Economia, Rogério Marinho (foto), estimou um saldo de pelo menos 635,5 mil novos postos de trabalho formais. O resultado, portanto, superou a expectativa da equipe econômica.
Dezembro seguiu a tendência de fechamento de vagas após as contratações temporárias nas fábricas para produzir as demandas das festas de fim de ano. Foram encerrados 307.311 postos com carteira assinada no país.
O comportamento do emprego em dezembro superou a expectativa do mercado financeiro. Estimativa coletada pela agência Bloomberg previa o fim de 324 mil contratos formais no último mês de 2019.
O saldo de dezembro foi o melhor desde o mesmo mês de 2005, quando 286.719 vagas foram fechadas.
Ao comentar os dados do Caged, Marinho publicou em uma rede social que o desempenho do mercado de trabalho em todo ano passado “demonstra a confiança do setor produtivo na agenda econômica”.
Para 2020, o governo espera a geração de 1 milhão de novos empregos formais caso o PIB (Produto Interno Bruto) avance 3% em relação ao ano anterior.
A projeção foi informada pelo secretário de Trabalho, Bruno Dalcolmo. Ele, porém, não fez estimativas com base na estimativa de crescimento de 2,5% do PIB, indicada pelo ministro Paulo Guedes (Economia).
Dalcolmo afirmou ainda que o desempenho do mercado de trabalho depende da continuidade na aprovação de reformas, privatizações e comércio internacional.
Em relação aos setores da economia, o secretário prevê que serviços e comércio tendem a abrir a maior quantidade de novas vagas com carteira assinada, mas a construção civil deve manter o ritmo aquecido.
“Os números [de 2019] são positivos, mas, lógico, temos que batalhar pelo um milhão”, disse Dalcolmo.
O Ministério da Economia ressaltou que, no ano passado, todos os oito ramos de atividade registraram saldo positivo.
O impulso veio principalmente do setor de serviços, que gerou 382.525 vagas formais. No comércio, houve abertura de 145.475 novos postos de trabalho e na construção civil, 71.115.
Todas as cinco regiões do país também tiveram desempenho positivo no mercado de trabalho. O melhor resultado foi para a região Sudeste, com 318.219 novas contratações formais. Na região Sul, foram 143.273 postos.
Em 2019, o salário médio de admissão foi de R$ 1.626,06, enquanto que o salário médio das demissões foi de R$ 1.791,97.
O governo divulgou ainda um balanço do trabalho intermitente, contrato que não prevê jornada fixa.
Aprovada durante a gestão do ex-presidente Michel Temer, a reforma trabalhista flexibilizou a legislação trabalhista e criou esse novo tipo de contratação.
No ano passado, foram criadas 85.716 novas vagas de trabalho intermitente -cerca de 13% do saldo de 644.079 postos formais gerados.
Dalcolmo diz esperar que essa fatia do trabalho intermitente registre pouca variação em 2020. “O trabalho intermitente tem crescido e não foi destinado a substituir nenhuma forma de contratação, e sim oferecer uma nova forma de contrato que antes não existia”, declarou o secretário de Trabalho.
As principais ocupações com esse novo tipo de emprego foram assistente de vendas, repositor de mercadorias e vigilante.
Segundo o governo, o objetivo é dar mais flexibilidade a setores com oscilação de demanda e atender a trabalhadores que, sem essa alternativa, ficariam na informalidade.(Thiago Resende – Folhapress)