MISCELÂNEA

Edeson Coelho é conhecido pela sua inteligência, brilho, sacadas, agilidade no pensar, além da enorme irreverência. E tem ainda a competência profissional: ele sempre se destacou em todas as atividades que desenvolveu. Sua vida publicitária teve início na McCann Erickson, passou por várias agências, trabalhou na Reader’s Digest, na Rede Globo e vai por aí.
Mauritônio Meira, em Histórias (Alegres) do Povo Brasileiro, conta que o Roberto Duailibi, quando era solicitado para fazer palestras nas faculdades de comunicação, em clubes ou associações de classe etc., para evitar a falta de plateia, a DPZ designava profissionais da sua estrutura para serem figurantes. Numa destas foi o Edeson Coelho. Realizada e aplaudida pelo público, abriu-se então para perguntas. O “chefe do cerimonial” começa a estimular os presentes, mas o silêncio era total. Então, o Edeson, depois de ver a plateia instigada pela 3ª vez, se apresenta e pergunta:
– Posso fazer uma pergunta?
E a mesa responde: – Pode.
E ele então manda a sua: – Posso ir ao banheiro?

Carlos Eduardo Meyer, brilhante redator dos anos 70, no Rio, que emprestava o seu talento à Caio, teve uma sacada de gênio quando do impeachment de Nixon. A Caio atendia uma concessionária da Ford. Que não tinha muita verba e que, por isto, não aparecia muito na mídia. No que Nixon renuncia ao governo para não ser afastado por uma decisão judicial, é substituído por quem? por Ford, o seu Vice. O mundo inteiro noticia o fato e, no dia seguinte à renúncia, a Caio veicula nos jornais do Rio de Janeiro, um pequeno anúncio de 2 col. x 5 cm, com a seguinte mensagem:
FAÇA COMO OS AMERICANOS. PREFIRA FORD.

Nesta linha de talento e de aproveitamento de uma oportunidade, (chama-se a isso Anúncio de Oportunidade), tem outra, grande, do Nizan Guanaes. O criador baiano, atendia a conta do Guaraná Antarctica, nos anos 92. E enquanto a seleção brasileira treinava para a Copa do Mundo, surge a notícia de que Maradona usava cocaína. A noticia explode no mundo e, no dia seguinte, Nizan publica pela DM9, um anúncio “all type” de 1/4 de página dizendo:
Seleção brasileira / não use Coca /
Prefira Guaraná Antarctica.
DM9 uma agência de resultados torcendo por uma seleção de resultados.

A Denison, nos anos 60, nas suas novas instalações na Rua do Carmo, tinha no seu quadro nomes como Joaquim Pêcego, Benício, Ubirajara Monteiro, Willy Edel, Maurice Cohen, Sergio Braga, Sergio Silveira, Marcello Silva, Murilo Vaz, Renato Grossi, Jorge Gama, Idalino Cavalcante e vai por aí. Dirigida por Oriovaldo Vargas, Hercílio Malburg e Sergio Ferreira. Dos nomes de mais fama, sobressaia Fabio Cardoso, galã de novela. O moço era pernóstico, daqueles que acreditavam no mundo girando em torno do seu umbigo. E não se misturava com “gente menor”: Secretárias, Recepcionistas, Boys, Assistentes, eram coisas para atender seus interesses ou vontades e não criaturas. Um belo dia entra para a Denison um novo boy, o Jorge Claudir. Um pretinho humilde, simples, despojado, inteligente, com nível cultural acima da média. Claudir se enturma e conquista a simpatia e o respeito de todos. Quer pela educação e pelo lindo sorriso, quer pela sua competência, responsabilidade, capacidade de cumprir bem as tarefas. Conversava e discutia com pessoas de nível cultural mais elevado, com total desembaraço. E percebe que Fábio Cardoso, era um poço de vaidade, de imponência, de bazófia. Certo dia, descendo o elevador na hora do almoço para entregar clichês aos jornais, depara-se com Oriovaldo, Sergio Ferreira, Hercilio, Idalino e o Fábio. Cada um mais bem vestido que o outro. E ele, Jorge Claudir, em trajes de boy. Entra e cumprimenta a todos, pelo nome. Quando cumprimenta o Fábio Cardoso, recebe, de volta, a seguinte colocação:
– Não falo com boy. Você sabe quem sou eu?
E o Claudir, na bucha:
– O Fábio, sabe que eu gostaria muito de ser isto aí que você pensa que é?

ANTI SLOGANS
Evandro Barreto, monstro sagrado da nossa Propaganda, Diretor de Criação por várias vezes, brilhante redator, me lembra que “Uma diversão em circuito fechado de redatores publicitários é criar ou parodiar slogans. (Falamos de slogans numa coluna atrás). E quanto mais “incorretos”, melhores são.  Abaixo, uma pequena seleção.
– Programa social em tempos de inadimplência:
MINHA CASA, MINHA DÍVIDA.
– 50 anos da Shell no Brasil:
50 ANOS DE PROGRESSO
FEITO NAS CONCHAS.
– Paródia do slogan “Quem dá aos pobres empresta a Deus”, da Feira da Providência:
QUEM DÁ AOS POBRES,
OU EMPRESTA, ADEUS!