Fragata brasileira escapa de explosão em Beirute

A fragata brasileira Independência deixou o porto de Beirute por volta das 9h desta terça-feira, 3h em Brasília, para mais um dia de patrulha regular nas águas ao redor da cidade. Às 18h30 (12h30 em Brasília), a tripulação testemunhou a gigantesca explosão na capital libanesa de um ponto a cerca de 15 km do porto.
“Percebemos uma onda de choque, seguida de um ruído bastante forte. Quando a gente avistou, já havia uma coluna de fumaça de cor rosada. Foi quando a gente percebeu que havia acontecido algo grave”, disse à Globonews o contra-almirante Sergio Renato Berna Salgueirinho, que comanda a Independência. O navio é a nau capitânia da Força-Tarefa Marítima da Unifil (Força Interina das Nações Unidas no Líbano), estabelecida em 2011 com comando brasileiro.
A frota tem outras cinco fragatas, da Alemanha, da Grécia, da Indonésia, da Turquia e de Bangladesh -essa última estava no porto na hora da explosão, e a Unifil afirma que há vários feridos graves sendo atendidos.
A Independência voltou ao porto para tomar ciência dos danos. Salgueirinho é o comandante da Força-Tarefa, que se reporta à ONU.
A Unifil foi criada em 1978, para tentar ajudar a estabilizar os diversos conflitos da guerra civil que corria no Líbano (1975-90). Em 2011, recebeu seu componente marítimo, o primeiro do tipo sob bandeira da ONU.
Boa parte de seu trabalho é evitar o contrabando de armamentos na costa libanesa e verificar a ausência de forças israelenses em águas territoriais do país, com o qual já teve diversos choques militares desde os anos 1970.
A Independência embarca cerca de 200 marinheiros. O Brasil planeja desde o ano passado deixar o comando da Força-Tarefa para focar seus poucos recursos navais no Atlântico Sul. O país contratou a construção de quatro corvetas pesadas, ou fragatas leves, de um consórcio liderado pelos alemães da TKMS.
A indisponibilidade de fragatas, sete hoje na frota brasileira, já levou a Marinha a ter de enviar uma corveta, navio de menor porte, para o Líbano no ano passado. (Igor Gielow – Folhapress)