Crise e compra consciente impulsionam brechós de roupas e acessórios para bebês

Movimentação durante a 3ª Feira Brechó próximo ao Metrô São Bento em São Paulo (SP). (Foto: Willian Moreira/Futura Press/Folhapress)

FLÁVIA G. PINHO
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – A possibilidade de economizar e o desejo de consumir de forma mais consciente têm alimentado o mercado de roupas usadas. Quando o assunto são itens para bebês, colabora outro fator: eles crescem rápido e costumam perder tudo a cada seis meses.
Não por acaso, surgem cada vez mais brechós especializados nesse segmento.
Fundado pelos irmãos Giovanna Domiciano e Flavio Thenorio, o Arena Baby nasceu em uma sala de 30 metros quadrados em Santo André. Hoje, são dez lojas no estado de São Paulo.
Por mês, cada unidade fatura em média R$ 40 mil com a venda de até 4.000 peças, entre roupas, acessórios, brinquedos e equipamentos.
Etiquetas de cores diferentes identificam cada item como “quase novo”, “nunca usado” ou “novo de fábrica” -os usados representam 85%.
Uma das estratégias para engordar os estoques é estimular os clientes a trocarem roupas que não servem mais por créditos em loja. “Durante a semana, entram até 200 peças novas em cada unidade, mas o volume dobra nos fins de semana e feriados”, diz Giovanna, que pretende chegar a 147 lojas até 2025.
Brechós, em geral, não trabalham com altas margens de lucro: giram em torno de 10% a 20%. O segredo para que o negócio seja bem-sucedido é ter ganho na escala, ensina a analista de negócios do Sebrae Elisângela Doroteu Almeida.
Esse é o plano de negócios da economista gaúcha Michele Zwarg, criadora do brechó virtual Encolheu. Ela criou um perfil no Instagram para vender roupas do próprio filho, em 2018, e se surpreendeu com a procura. Hoje com 11.200 seguidores, a empresária diz vender em média 430 peças por mês.
Boa parte dos produtos exibe etiquetas de grifes de grande aceitação, a exemplo de Gap e Paola da Vinci. Os preços vão de R$ 15 a R$ 100.
A empreendedora despacha roupas e sapatinhos pelos Correios, depois de higienizá-los e perfumá-los.
“Meu projeto é ganhar escala lançando um comércio eletrônico em breve”, diz.
Mesmo que o investimento para lançar uma loja online seja menor do que a montagem de um ponto fixo, Elisângela, do Sebrae, lembra que é crucial contabilizar também o custo de manutenção do site e a eventual contratação de ajudantes.
O publicitário carioca Alexandre Fischer investiu R$ 200 mil para lançar o Ficou Pequeno em 2013. Hoje, reúne 150 mil pessoas que vendem e compram roupas, acessórios e equipamentos.
Cada usuário monta a própria loja, sem custo, coloca seus produtos à venda e se responsabiliza pelo envio. O site cobra 20% de comissão do vendedor, enquanto o comprador arca com o frete.
Fischer não entrega o volume de vendas, mas dá o tamanho do estoque: 80 mil peças, à venda por preços até 80% mais baixos que os de peças novas.