Contra visita do papa, Nunciatura Apostólica do Chile é ocupada

A sede da Nunciatura Apostólica do Chile, em Santiago, foi ocupada nesta sexta-feira por representantes do movimento de pessoas em risco de desalojamento, em protesto pelos gastos com a organização da visita do papa Francisco ao país, que começa na segunda-feira. Foi uma ação rápida, que durou apenas alguns minutos, mas que preocupou as autoridades, até porque também houve registro de ataques a igrejas durante a madrugada e a manhã desta sexta-feira, em diferentes pontos da capital chilena.

O grupo que ocupou a Nunciatura foi retirado pela polícia. Membros da Associação Nacional de Devedores Habitacionais (Andha), liderados pela ex-candidata à presidência Roxana Miranda, assumiram o ato. O prédio hospedará o pontífice durante o período em que ele ficará no país.

“Temos a sede papal tomada. Não concordamos com os milhões que estão sendo gastos para trazer o papa. Isso não se trata de fé, nem de religião, se trata da quantidade de recursos que estão sendo usados”, disse Roxana durante a invasão, segundo vídeo postado no Twitter.

O orçamento para a visita do pontífice ao Chile, segundo o site da organização oficial, é de aproximadamente US$ 6 milhões (cerca de R$ 20 milhões). O papa Francisco fará três dias de peregrinação pelas cidades de Santiago, Temuco e Iquique.

A Andha é um partido político anticapitalista constituído em 2015 e legalizado em 2016, que surgiu no seio do movimento dos devedores de moradias. Roxana Miranda chegou a concorrer à presidência do país nas eleições de 2013, quando Michelle Bachelet venceu.

Ataques a Igrejas

Durante a madrugada e a manhã desta sexta-feira, pelo menos quatro igrejas foram alvo de ataques, algumas de caráter violento, com o lançamento de bombas e objetos incendiários, também em protesto contra a visita do papa. Em três ações as igrejas sofreram danos, principalmente em portas e fachadas. Os autores também espalharam panfletos com frases políticas contra a viagem do Papa.

Em entrevista a uma rádio local, a presidente do Chile, Michelle Bachelet, considerou o fato incomum. “Sabemos que sempre haverá um grupo ou outro, mas isto é muito estranho, porque não é algo que possamos identificar como sendo de um grupo específico. Na democracia as pessoas podem se expressar, mas sempre de maneira pacífica e adequada”, afirmou.

Na Igreja de Santa Isabel de Hungria, que fica na região da chamada Estação Central, em Santiago, desconhecidos lançaram um pano embebido em combustível na direção da entrada e depois atearam fogo. A porta ficou completamente queimada, mas o Corpo de Bombeiros conseguiu impedir que as chamas se alastrassem.

“Liberdade a todos os presos políticos do mundo. Wallmapu (território mapuche) livre. Autonomia e resistência. Papa Francisco, as próximas bombas serão na sua batina”, diziam os panfletos deixados no local. O pároco local, Fernando Ibáñez, disse a uma rádio chilena que, horas antes, alguns jovens passaram pela igreja falando frases ofensivas, mas ele não imaginou que um ataque do tipo pudesse acontecer.

Na Recoleta, outro ataque afetou a Paróquia Emanuel dos Santos Apóstolos. Às 3h, no horário local (5h em Brasília), indivíduos não identificados lançaram uma bomba que destruiu a porta e algumas janelas.

Em Peñalolén, um ataque similar atingiu a Capela Cristo Vencedor, onde desconhecidos explodiram uma bomba que causou poucos danos. A Polícia encontrou no lugar um extintor e uma embalagem plástica que foram levados para perícia. Nessa igreja não havia panfletos.

No Santuário de Cristo Pobre, que fica perto da estação de metrô Quinta Normal e do Museu Nacional de História Natural, a polícia neutralizou uma vasilha com combustível deixada na entrada do templo. Na parede, os autores escreveram: “Para o papa 10 bilhões, e os pobres morremos nas cidades”.

O subsecretário do Interior, Mahmud Aleuy, foi aos locais atacados e disse que abrirá processos contra todos os responsáveis. Ele informou que as ações são parecidas, mas não necessariamente estão relacionadas. Segundo o político, depois dos atos desta sexta-feira, a polícia reforçará a segurança no trajeto que o pontífice fará e nas regiões a serem visitadas.

(Da redação)