Conselho de Segurança da ONU debate ataque dos EUA à Síria

O Conselho de Segurança da ONU se reúne nesta sexta-feira após o bombardeio efetuado nas últimas horas pelos Estados Unidos contra uma base aérea na Síria, anteciparam fontes diplomáticas.

O encontro será às 11h30 (12h30 em Brasília) depois que a Bolívia, um dos integrantes não permanentes do Conselho de Segurança, ter solicitado uma sessão de urgência.

Os 15 países do conselho discutiram nesta quinta-feira, sem sucesso, sobre aplicar uma resolução de resposta ao uso de armas químicas na Síria durante uma reunião a portas fechadas, antes que os Estados Unidos lançassem seu ataque contra a base aérea na Síria.

No dia anterior, a embaixadora americana na ONU, Nikki Haley, tinha alertado no Conselho de Segurança, que se o bloqueio continuasse, seu país poderia fazer uma ação unilateral.

Essa advertência se traduziu finalmente no lançamento de 59 mísseis tomahawk contra a base aérea de Shayrat, de onde os Estados Unidos acreditam que partiram os aviões que fizeram o ataque químico na terça-feira (4), que matou cerca de 80 pessoas na cidade de Khan Sheikhoun.

Por enquanto, os aliados dos EUA apoiaram a decisão do presidente Donald Trump, enquanto a Rússia a considerou uma agressão e advertiu que haverá consequências.

“O presidente (Vladimir) Putin considera que os ataques americanos na Síria são uma agressão contra um Estado soberano e uma violação do direito internacional e, além disso, foram justificados por um pretexto inventado”, disse hoje à imprensa o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov. Além disso, a Rússia suspendeu a coordenação militar que tinha com os Estados Unidos na Síria em resposta ao ataque.

Ataque químico

A Organização Mundial da Saúde (OMS) confirmou, nesta sexta-feira, que 84 pessoas morreram e 546 ficaram feridas, após o suposto ataque químico na terça-feira (4), na cidade síria de Khan Sheikhoun, na província de Idlib.  O porta-voz do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), Christophe Boulierac, informou há pelo menos 27 crianças entre os mortos.

Dos feridos, 74 foram transferidos para a Turquia, entre os quais 34 mostraram “sintomas compatíveis com os da exposição a componentes químicos tóxicos, foram tratados de ferimentos e outras doenças”,  disse o porta-voz da OMS, Tarik Jasarevic. Uma pessoa morreu e outra encontra-se em estado grave, mas a maioria dos pacientes está bem e pode receber alta, acrescentou.

Jasarevic disse que a OMS trabalha com seus parceiros na província de Idlib para fornecer os remédios necessários, revisar as necessidades sanitárias e assegurar que a equipe médica tenha os conhecimentos e os equipamentos para responder a um ataque desse tipo. Tanto a OMS quanto o Unicef trabalham para levar medicamentos à região, especificamente atropina, um agente anticolinérgico que pode combater efeitos de intoxicação química.

A OMS esclareceu que não desempenhou “absolutamente nenhum papel nas autópsias feitas por legistas turcos, nem recolheu amostras ou participou de análises”. Havia, sim, um membro da OMS presente durante esses trabalhos porque estava na região para visitar hospitais, avaliar as necessidades e verificar o número de pacientes e o número de mortos e feridos. Por isso, a OMS não pode confirmar se foi usado gás sarin no ataque, como acusam vários países que responsabilizam o Exército sírio, acrescentou o porta-voz.