Bradesco anuncia lucro de R$ 19 bilhões em 2017

Embora o Bradesco tenha registrado alta de 11% em seu lucro tanto do quarto trimestre quanto do ano fechado de 2017, o mercado financeiro não reagiu bem aos resultados do banco, que deve definir até o fim da semana que vem seu novo presidente, em substituição ao executivo Luiz Carlos Trabuco Cappi.

Os papéis da instituição foram destaque de baixa ontem na B3 – nova denominação da Bolsa paulista – , afetando também as ações de outros bancos. O papel PN do Bradesco teve queda de 2,65% ao fim do dia, enquanto o ON recuou 2,87%. O BTG Pactual avaliou os resultados do Bradesco no quarto trimestre como “mais fracos” do que o esperado.

Entre outubro e dezembro, o Bradesco teve lucro líquido de R$ 4,86 bilhões, alta de 10,9% em relação ao mesmo período do ano passado. Em todo o exercício de 2017, os ganhos superaram a marca de R$ 19 bilhões, um crescimento de 11,1% sobre o balanço de 2016.

Depois de um resultado negativo na carteira de crédito no acumulado do ano passado – o saldo terminou em R$ 492,9 bilhões, uma queda de 4,3% em relação a 2016 –, o Bradesco reportou ontem que espera que seu volume de empréstimos volte a crescer em 2018.

O banco espera que sua carteira cresça de 3% a 7% neste ano, na comparação com 2017. As previsões do banco foram classificadas pelo BTG como “muito próximas das expectativas”.

Nesta quinta-feira, ao comentar os resultados da instituição, o presidente do Bradesco afirmou que a carteira de crédito já começou a reagir no fim do ano passado – entre outubro e dezembro, o volume de empréstimos teve aumento de 1,2% em relação ao resultado do terceiro trimestre.

“Foi o primeiro crescimento em crédito em dois anos”, disse Trabuco Cappi. O executivo também minimizou o risco eleitoral para a economia. “Eleições sempre criam volatilidade, (mas) o ano de 2018 é de retomada da economia brasileira.”

Um ponto de pressão que pode atrapalhar o crédito é a tentativa da Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços (Abecs) de reduzir o peso do parcelado sem juros no setor. A proposta é trocar de forma gradual o parcelado sem juros por uma linha de crédito com juros baixos. As medidas devem começar a ser implementadas ainda neste trimestre.

O diretor de relações com o mercado do Bradesco, Carlos Firetti, considera “prematuro” dizer que a mudança terá impacto significativo para o banco. “Não está se propondo o fim parcelado sem juros. As discussões vão muito mais no sentido de oferecer alternativas aos consumidores”, disse. “Mesmo que tenha uma mudança, seria um processo gradual e, portanto, não há grande impacto nos nossos guidances (previsões).”

Calotes

A perspectiva otimista para os empréstimos neste ano vem acompanhada de uma queda na inadimplência. O Bradesco fechou o ano com índice de 4,7% de atrasos acima de 90 dias, uma baixa de 0,1 ponto percentual em relação ao dado de setembro e retração de 0,8% ao longo de 2017.

O Bradesco encerrou dezembro com R$ 1,3 trilhão em ativos totais, alta de 0,4% em um ano. O patrimônio líquido do banco alcançou R$ 110,45 bilhões, expansão de 10% em 12 meses.

 

Coordenada

O presidente do Bradesco, Luiz Carlos Trabuco Cappi, afirmou que o processo de seu sucessor tem um calendário e se conclui no mês que vem, com a realização da Assembleia Geral Ordinária no dia 13 de março, quando se baterá o martelo quanto ao escolhido para substituí-lo.

A expectativa é que o nome do próximo presidente seja divulgado até o carnaval. Em entrevistas em Davos, na Suíça, durante o Fórum Econômico Mundial, Trabuco confirmou a data e mencionou 10 de fevereiro como prazo limite. Nesta quinta-feira, em conversa com a imprensa, porém, o executivo preferiu não dar mais detalhes. “Temos calendário antes da assembleia para propor a chapa do conselho”, resumiu.

As apostas, conforme fontes, continuam apontando para o vice-presidente Maurício Minas, responsável pela área de tecnologia, uma das mais importantes na atualidade. Embora o favoritismo pelo executivo tenha crescido desde a renúncia de Lázaro de Mello Brandão da presidência do Conselho de Administração do Bradesco, em outubro último, os outros integrantes do quarto andar da Cidade de Deus sequem no páreo.

São eles Alexandre Glüher, responsável pela área de relações com investidores; Josué Pancini, que comanda a rede de agências; Marcelo Noronha, da área de cartões e banco de investimentos; Octavio de Lazari, que responde por seguros; André Cano, de recursos humanos; e Domingos Abreu, de crédito.

A saída de Trabuco do comando do Bradesco foi postergada com a ampliação da idade limite para exercício do cargo de diretor presidente, que passou de menos de 65 para menos de 67 anos, em setembro de 2016. Teria pesado, na época, a morte trágica do principal candidato a sucessor, Marco Antonio Rossi, vice-presidente do banco e presidente da Bradesco Seguros, em um acidente de avião.

No entanto, a escolha do substituto de Trabuco foi antecipada com a renúncia de Brandão do conselho do banco, em outubro último, uma vez que o executivo poderia permanecer na presidência da instituição até 2019.

(Aline Bronzati – Repórter da Agência Estado)